Depois de um arranque turbulento, marcado por avarias e supressões por falhas de carregamento, a operação dos navios elétricos comprados pela Transtejo entrou numa fase de maturidade e regularidade.

A empresa tem planos para reforçar a oferta e já a partir de junho vai realizar uma nova ligação só na margem sul, entre o Seixal e o Barreiro. O anúncio foi feito esta terça-feira pelo ministro das Infraestruturas durante uma cerimónia que assinalou o aniversário da chegada do primeiro navio elétrico. Miguel Pinto Luz destacou que esta ligação permite colmatar uma falha na ligação entre as populações dos dois concelhos, que “estão tão perto”, mas que, por ausência de uma ponte, têm de fazer um percurso longo para circular entre si.

O presidente da empresa, Rui Rei, explicou que a ligação fluvial entre o Seixal, Barreiro e Lisboa estará disponível inicialmente ao fim de semana, mas o objetivo é ir evoluindo para um serviço durante a semana com transporte de manhã, à tarde e à noite. A ligação será Seixal-Barreiro-Lisboa (Cais do Sodré).

Em declarações ao Observador, Rui Rei situa a “transformação positiva” na operação elétrica da Transtejo a partir de 1 de novembro, justificando a mudança com “viabilidade do planeamento e determinação”. Não escondendo que a renovação da frota da Transtejo, com a compra de 10 navios elétricos, foi acompanhada de “problemas de fiabilidade e maturidade da nova solução”, explicou que foi necessário tempo para realizar testes, contratar e formar tripulações para lidarem com os novos equipamentos. Em funções desde o final de 2025, Rui Rei indica que o processo ainda não se encontra concluído.

Chegaram, mas nem sempre carregam. Navios elétricos da Transtejo ainda estão por inaugurar

Os problemas ao nível do carregamento não estão totalmente ultrapassados, mas as falhas de hoje já não têm “nada a ver com o passado”. E depois de um “inverno duro”, a maior parte das supressões foi resolvida e os navios estão agora a operar com regularidade em duas rotas — Seixal e Cacilhas. Rui Rei acrescenta que nesta ligação se mantém ainda um cacilheiro porque é a “imagem de marca da empresa”.

Dos 10 navios adquiridos em 2021 aos Estaleiros Gondán nas Astúrias, que produziram o modelo à medida da empresa portuguesa, dois estão parados devido a avarias que estão ainda a ser reparadas. Mas mesmo quanto estiveram todos operacionais, a Transtejo não tem planos para abater a frota a diesel. O presidente da empresa reforça que 10 navios não chegam para substituir toda a frota, referindo que há rotas, como a do Barreiro, que ainda são asseguradas pelos navios a diesel. De resto, “precisamos dos navios a diesel para complementar a oferta. Se queremos crescer a frota elétrica não é suficiente para fazer a operação”.

Transtejo já tem 9 dos 10 navios elétricos, mas três estão inoperacionais e recorre ao diesel para reduzir falhas

Para além do reforço da oferta nas rotas que já serve e do novo trajeto entre o Seixal e o Barreiro, a Transtejo quer voltar a ligar a margem sul ao Parque das Nações. A proposta já foi feita à Câmara de Lisboa que é a dona do espaço e aguarda resposta. O presidente da empresa diz que esta nova ligação pode ser feita a partir do Barreiro, Montijo ou Seixal, ou de origens mistas na margem Sul.

Questionado sobre se a empresa admite comprar mais navios elétricos para substituir o que resta da frota a diesel, o presidente da Transtejo diz que o plano para a frota está a ser avaliado. Reconhecendo que o ideal era ter uma frota unificada — porque manter uma frota híbrida aumenta os custos com manutenção combustíveis fósseis — também lembra que comprar um navio demora 4 a 5 anos.

No ano passado, a empresa transportou mais de dois milhões de passageiros em navios elétricos, uma percentagem ainda baixa do universo total de 21 milhões de passageiros. Mais de metade destes passageiros realizaram a travessia Cais do Sodré-Cacilhas, que só começou a ser assegurada pelo modo elétrico na segunda metade do ano. A travessia na frota elétrica entre Lisboa e Montijo está em fase experimental.

Em maio do ano passado iniciou-se a operação da frota elétrica na ligação Lisboa-Seixal, onde surgiram falhas no carregamento que obrigaram a Transtejo a suprimir ligações e a recorrer às embarcações antigas a diesel. O primeiro aniversário da nova frota foi assinalado esta terça-feira no cais do Seixal onde, apesar da melhoria na fiabilidade das viagens fluviais, fizeram-se ouvir protestos por causa do comboios com excesso de passageiros no serviço da Fertagus.

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Miguel Feraso Cabral