Portugal deu um passo relevante na sua afirmação na economia do espaço com o arranque da primeira fábrica nacional dedicada a satélites óticos, instalada em Guimarães.

Ilustração de projeto para fabrico de satélites óticos que será instalado em Guimarães

O projeto é liderado pelo CEiiA, em articulação com o município local e parceiros industriais e académicos.

A unidade ficará localizada na antiga Fábrica do Alto, em Pevidém, num processo simbólico de reconversão industrial que liga o passado têxtil à nova economia tecnológica.

Ilustração de projeto para fabrico de satélites óticos que será instalado em Guimarães

Produção, testes e emprego qualificado

A nova infraestrutura será dedicada à montagem, integração e teste de satélites óticos, um segmento altamente especializado dentro da indústria aeroespacial.

Segundo as entidades envolvidas, o projeto deverá entrar em funcionamento dentro de meses e terá impacto direto em várias frentes:

  • Criação de emprego altamente qualificado
  • Atração de talento científico e tecnológico
  • Diversificação do tecido industrial nacional
  • Consolidação de Guimarães como polo aeroespacial

A autarquia destaca que esta aposta pretende colocar a cidade “na linha da frente” de setores estratégicos ligados à soberania tecnológica europeia.

Parcerias internacionais e ambição europeia

O projeto não surge isolado. Conta com colaboração internacional, incluindo a empresa alemã OHB, e integra-se num ecossistema mais amplo que envolve universidades e indústria, no âmbito do chamado “Guimarães Space Hub”.

Esta abordagem segue a tendência europeia de reforço da autonomia no espaço. Empresas como a Open Cosmos têm vindo a desenvolver constelações próprias com comunicações ópticas e capacidades de observação da Terra, precisamente para reduzir dependências externas e garantir soberania tecnológica.

O que muda para Portugal

A criação desta fábrica representa uma mudança estrutural no papel de Portugal no setor espacial. Até agora, o país participava sobretudo em componentes, software e investigação. Com esta unidade, passa a integrar a cadeia de valor mais avançada: produção e validação de satélites completos.

Este avanço está alinhado com a estratégia da Agência Espacial Portuguesa, que procura posicionar o país como um player relevante na economia espacial global até 2030.

A assinatura do contrato de comodato entre a Câmara Municipal de Guimarães e o CEiiA marcou, esta segunda-feira, 4 de maio, o arranque formal da primeira fábrica de satélites óticos do país, a instalar na antiga Fábrica do Alto, em Pevidém, onde já decorrem obras de reabilitação. Imagem: Jornal de Guimarães.

Um novo ciclo industrial

Mais do que um investimento tecnológico, trata-se de um sinal claro de transformação económica. A reutilização de uma antiga fábrica industrial para produzir tecnologia espacial simboliza a transição de Portugal para setores de alto valor acrescentado.

Se o calendário for cumprido, Guimarães passará a integrar o restrito grupo de cidades europeias com capacidade para desenvolver satélites óticos, um ativo estratégico numa era em que dados geoespaciais, monitorização ambiental e segurança ganham importância crescente.