Olivier Hoslet / EPA

Christine Lagarde conversa com Valdis Dombrovskis

Diretora do FMI avisa que há responsáveis a ignorar que o petróleo é um “produto global negociado globalmente”.

Esta segunda-feira foi dia de reunião dos Ministros das Finanças da Zona Euro, em Bruxelas.

Depois do encontro, Valdis Dombrovskis, Comissário Europeu para a Economia e Produtividade, alertou que a Europa está perante um choque de estagflação.

Ou seja: “Uma desaceleração do crescimento económico com um aumento simultâneo da inflação. É exatamente este o cenário em que nos encontramos”.

“Além disso, se analisarmos as últimas estimativas de inflação, publicadas na passada quinta-feira, estas apontam para uma inflação de 3,0% na zona euro. E este aumento é impulsionado principalmente por uma subida dos preços da energia, que subiram 10,9% em termos homólogos”, analisou Valdis Dombrovskis.

Kyriakos Pierrakakis, presidente do Eurogrupo, diz algo um pouco diferente: “Ainda não estamos em plena estagflação”.

“Estamos numa tendência de estagflação, o que significa que estamos a rever as nossas projeções de crescimento em baixa e de inflação em alta; mas ainda não estamos em plena estagflação” comentou o grego.

O Eurogrupo admite no geral que “as expectativas de uma rápida desescalada da crise no Médio Oriente não se confirmaram”.

A Europa deve abordar a situação atual com “realismo e responsabilidade”.

Nenhum país escapa

Do outro lado do Atlântico, em Los Angeles, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), avisou que o choque energético provocado pelo bloqueio no Estreito de Ormuz é global e “nenhum país evitará o impacto dos preços altos”.

Kristalina Georgieva falava na Milken Global Conference, num painel sobre a economia mundial, e deixou um aviso aos desatentos: “O petróleo é um produto global negociado globalmente. Vejo que parte da audiência envolvida em políticas públicas está a ignorar isto”.

“Os decisores ainda agem como se isto fosse durar apenas alguns meses e estão a pôr em prática medidas para reduzir o impacto nos consumidores e empresas. Toda a gente aqui sabe que, se a oferta encolhe, a procura também tem de diminuir“, analisou.

A sequência que se prevê é: fertilizantes mais caros, alimentos mais caros, produção de chips – e situação económica mais séria a nível global.


Nuno Teixeira da Silva, ZAP //


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