“Merecemos ganhar, merecemos perder, merecemos empatar.” Quantas vezes é que um treinador de futebol diz isto depois de uma vitória da sua equipa? Disse-o Luis Enrique, treinador do PSG, depois de uma vitória por 5-4 diante do Bayern Munique. Enquanto o dizia nas entrevistas rápidas, passou por ele Vincent Kompany, treinador dos bávaros, e “Lucho” perguntou-lhe se tinha gostado de ver o jogo da bancada. Com um sorriso, o belga, que tinha acabado de perder por um, respondeu “Não!”. Ninguém podia ficar mal-disposto depois do que acabara de acontecer no Parque dos Príncipes, um dos melhores jogos da história da Liga dos Campeões, o tal que ninguém mereceu ganhar, perder ou empatar. Já não será tanto assim depois do jogo desta quarta-feira (20h, SPTV5) no Allianz Arena. Alguém vai ter de ganhar para ir à final. E quem perder, vai ficar rabugento.

Para muitos, este segundo confronto entre Bayern e PSG é a final antecipada da Champions, sobretudo depois do espectáculo digno de uma final que aconteceu em Paris há uma semana – e quem sair vencedor desta meia-final, será o favorito no jogo do título, em Budapeste. Mas haverá algum favorito para esta meia-final? Podemos esperar um jogo mais calmo? Ou será mais do mesmo. O golo que dá vantagem ao PSG fará assim tanta diferença na decisão da eliminatória? Irão os parisienses jogar para o empate e defender essa vantagem? E os bávaros, serão metódicos na sua abordagem? Irão entrar com cautelas, marcam dois e fecham a baliza?

“Jogo igual ao da semana passada? Vai sempre depender das duas equipas”, comentou Vincent Kompany, técnico da formação germânica que cumpriu um jogo de castigo longe do banco em Paris. “Se uma delas der um passo atrás e defender mais, pode haver mais momentos calmos no jogo. Mas é difícil imaginar que alguma das equipas vá mudar aquilo que as trouxe até aqui. Estamos a jogar em casa, queremos ganhar e vamos fazer tudo por isso”, garantiu o antigo central belga, que está a cumprir a sua segunda época à frente do Bayern.

Na primeira época com Kompany, a formação bávara cumpriu a sua obrigação de ser campeã na Bundesliga, mas caiu nos quartos-de-final perante o Inter de Milão. Agora, já com a formalidade do título germânico cumprida, o Bayern vai em busca da sua 12.ª final, algo que, a acontecer, o coloca como a segunda equipa com mais finais da Champions/Taça dos Campeões da história (apenas atrás das 15 do Real Madrid), e, se ganhar, passa a ter sete títulos, igualando o AC Milan.


Já o PSG ainda não garantiu o título em França – já só precisa de mais um ponto. Mas isso não impediu Luis Enrique de rodar boa parte da equipa no último jogo da Ligue 1 (empate com o Lorient) para ter maior frescura em mais um jogo “louco”. É isso que “Lucho” espera no Allianz Arena? “Não interessa o que eu espero”, respondeu o técnico asturiano. “Acredito que será um jogo de alto nível entre as duas melhores equipas da Europa, com vontade de chegar à final, o que é um cenário apaixonante para as duas.”

O PSG regressa a Munique, cidade onde conquistou a Champions na temporada passada com a “demolição” do Inter de Milão (5-0). Para o técnico dos parisienses, é uma cidade com significado muito especial, e não apenas por essa final. “Não precisamos de mais motivação, estamos a 100%. Voltar a Munique é sempre um prazer porque podemos recordar o que fizemos o ano passado. Se formos mais longe, no ano em que fui campeão com o Barcelona [2015] também jogámos aqui em Munique o segundo jogo das meias-finais.”

Há muitos portugueses envolvidos nesta “segunda parte” do Bayern-PSG. A formação parisiense tem um núcleo generoso e importante, com Nuno Mendes, Vitinha e João Neves como imprescindíveis para Luis Enrique – Gonçalo Ramos costuma ser suplente, mas tem o bom hábito de marcar quando sai do banco. Já o Bayern, tem o experiente Raphael Guerreiro, que vai sair dos bávaros no final da temporada, como opção para o meio-campo, mas dificilmente será titular. Todos eles poderão comunicar em português com o árbitro deste jogo, que será João Pinheiro, em palco de exposição máxima antes do Mundial do próximo Verão.