Uma das medidas que a Lufthansa quer que sejam aplicadas pela Europa para ajudar a minimizar os impactos negativos da guerra que envolve os EUA e Israel contra o Irão é a de permitir que as companhias aéreas usem o jet fuel da América do Norte. Este, apelidado de Jet A, é diferente do Jet A1 usado na Europa, já que suporta menos temperaturas negativas antes de congelar.

Em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, o presidente executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, defendeu que essa diferença tem impactos em alturas como o Inverno e quando se sobrevoa zonas como a Sibéria, mas neste momento deve ser uma alternativa, nomeadamente em voos de regresso dos EUA, sem implicar uma nova refinação.

A capacidade disponível de refinação, vincou o gestor, deve ser usada para jet fuel adicional. “Não há razões para não se usar” o jet fuel da América do Norte nesta altura, sustentou Carsten Spohr.

Outra medida defendida pela empresa alemã junto da Comissão Europeia, a par da indústria da aviação, é um relaxamento das regras de slots, ou seja, do número de voos das companhias permitidos em cada aeroporto, à semelhança do que se sucedeu na pandemia de covid-19.

As regras impõem que se perca os slots que não sejam usados como planeado, o que complica a reacção das companhias aéreas em alturas de crise como a actual, em que se pondera deixar de realizar alguns voos por falta de rentabilidade.

Depois, a Lufthansa defende ainda que seja autorizado o tankering de forma temporária. Esta estratégia passa por transportar mais combustível do que o necessário para fazer uma viagem de ida, podendo chegar ao limite de não precisar de reabastecer (como em algumas viagens de curto ou médio curso). No entanto, a UE quer evitar questões como emissões acrescidas com o peso extra de combustível nos aviões.

Factura com combustível a subir

A Lufthansa foi uma das companhias aéreas que já anunciaram a redução de voos para responder à forma como a subida de preços está a afectar o sector. Até Outubro, irão ser cancelados cerca de 20 mil voos de curta duração, gerando uma poupança de combustível.

Na apresentação de contas do primeiro trimestre deste ano que se realizou esta quarta-feira, a empresa afirmou que em 2026 a factura com combustível deverá subir em 1,7 mil milhões de euros, chegando ao total de 8,9 mil milhões.

Ainda assim, e apesar de só ter visibilidade total sobre abastecimento de jet fuel até meados de Junho, mostrou optimismo para este ano, mantendo o objectivo de subir as receitas e melhorar os resultados operacionais correntes face a 2025.

Sobre a TAP, cuja compra de 44,9% do capital está a disputar com a Air-France-KLM, o presidente da Lufthansa afirmou que nada mudou no interesse e na vontade de apresentar uma proposta vinculativa.

A companhia aérea portuguesa, vincou, é estratégica para a Lufthansa conseguir crescer no Brasil e no mercado da América do Sul, onde tem uma presença inferior à da Air France-KLM e à da IAG (Iberia e British Airways).

Sem ainda grandes impactos da crise nas contas do primeiro trimestre, a Lufthansa teve uma quebra do prejuízo de 25% em termos homólogos para 665 milhões de euros (por norma, o primeiro trimestre não é um período de bons resultados para esta indústria), tendo as receitas subido 8% para 8746 milhões.

Uma vez que a guerra ainda não acabou, a Lufthansa destaca que isso significa que há ainda uma conjuntura de volatilidade do ponto de vista da operação e da segurança. “Nos próximos meses será necessário monitorizar proactivamente a situação”, sendo que, em algumas situações, os efeitos da guerra “não são previsíveis neste momento”.

“Não se pode descartar a possibilidade de cancelamentos adicionais de voos e restrições de capacidade”, refere o grupo alemão. A forma de limitar o risco potencial é através do “monitoramento contínuo do padrão de reservas” e do “planeamento flexível da capacidade”. A empresa destaca ainda que estão a ser aplicadas medidas de redução de custos.