A mãe de uma das mulheres mortas e enterrada em Portugal por Cédric Prizzon exige que este seja julgado em França, de onde é natural, assim como eram as vítimas.
À Agence France Press (AFP), Fabien Arakélian, advogado da mãe de Audrey Cavalié, ex-companheira do homicida e uma das vítimas, lembrou que, apesar de alguns dos crimes terem acontecido em Portugal, tanto as vítimas como o autor dos mesmos tinham nacionalidade francesa, pelo que, “na lei, nada impede que o caso seja julgado nos tribunais franceses”.
Para Fabien Arakélian, “é uma questão de bom senso jurídico”. Por isso, pretende solicitar a transferência do duplo homicida para França, por meio de um mandado de prisão europeu.
Numa declaração conjunta com o advogado, a União Nacional de Famílias de Vítimas de Femicídio (UNFF) considerou que o caso Prizzon constitui “um caso emblemático das falhas institucionais diante da violência doméstica e machista”.
“Cédric Prizzon, reincidente em casos de violência, assédio e omissão de socorro a menores, vinha a acumular sinais de alerta há vários anos”, lembra a associação, pedindo às autoridades francesas que sejam “irrepreensíveis no acompanhamento deste caso” e a Gérald Darmanin, ministro da Justiça de França, que divulgue “quais as medidas que estão a ser tomadas para garantir a rápida extradição de Cédric Prizzon” para o seu país de origem.
À margem disso, o advogado da mãe de Audrey revelou que o corpo da mulher chegou a França na passada quinta-feira, 30 de abril.
O caso
Cédric Prizzon, de 42 anos, está atualmente em prisão preventiva em Portugal, acusado de matar Audrey Cavalié, ex-companheira de 40 anos e mãe do filho de 12, assim como Angela Legobien, de 26 anos, a sua atual companheira e mãe da filha com menos de 2 anos.
Os crimes ocorreram em março, em Portugal, depois de raptar Audrey, em França, alegadamente, com a ajuda de Angela.
Segundo o relatório da autópsia, o ex-polícia francês matou as duas mulheres da mesma forma, por asfixia, muito provavelmente, com um “mata-leão”.

Cédric Prizzon, o ex-polícia francês suspeito de matar a ex-mulher a atual namorada e enterrar os corpos em Portugal, já foi presente a primeiro interrogatório judicial. Após longas horas, o alegado duplo homicida ficou em preventiva.
Natacha Nunes Costa | 08:46 – 27/03/2026
Os corpos das vítimas foram encontrados enterrados num local isolado do distrito de Bragança, a cerca de 100 quilómetros da cadeia onde Cédric Prizzon se encontra detido, na cidade da Guarda.
O francês foi apanhado, por acaso, durante uma fiscalização de trânsito efetuada pela Guarda Nacional Republicana (GNR). Desconfiados, com o que encontraram dentro da carrinha que conduzia – matrículas falsas, milhares de euros, etc -, assim como com o facto de ter duas crianças no seu interior, sem qualquer segurança, investigaram melhor o condutor e perceberam que sobre este pendia um mandado de captura.
Tanto o menino de 12 anos – que assistiu a parte dos crimes -, como a menina, que na altura dos factos tinha 18 meses, já foram repatriados para França no início de abril.
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