Existem lugares que não podem ser compreendidos apenas olhando nos mapas disponíveis digitalmente. É preciso entrar na floresta, ouvir os sons e movimentos furtivos dos animais. Entender a dimensão do que ainda resiste.

Foi com esse espírito que realizamos a primeira visita técnica do documentário “A Vida Pede Passagem”, produzido pelo Instituto Últimos Refúgios e a ser dirigido por Klaus’Berg, cineasta capixaba e professor da Universidade Federal do Espírito Santo, que também dirigiu os documentários socioambientais “Corredores: da Pedra Azul ao Forno Grande” (2024) e “Águas do Itapemirim” (2025).

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Ali está um dos conjuntos de florestas mais importantes do estado. A Reserva Biológica de Sooretama, gerida pelo ICMBio, protege 27.859 hectares. Ao lado dela, a Reserva Natural Vale conserva cerca de 23 mil hectares.

Juntas, somadas às RPPNs Mutum-Preto e Recanto das Antas e a outros fragmentos privados preservados, essas áreas formam um bloco contínuo de aproximadamente 50 mil hectares, reconhecido como um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do ES.

Foto: Leonardo Merçon

Foto: Raphael Gaspar

Foto: Leonardo Merçon

Essa floresta guarda uma riqueza biológica extraordinária. Ali sobrevivem espécies emblemáticas como a onça-pintada, a harpia e a anta, além de espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica.

A Unidade de Conservação também abriga a maior e mais protegida população do mutum-de-bico-vermelho, uma das aves mais ameaçadas do país.

Foto: Felipe Facini

Foto: Felipe Facini

Foto: Leonardo Merçon

Foto: Leonardo Merçon

Já conhecíamos bem essa região por expedições anteriores, especialmente pelo trabalho realizado na produção do livro sobre a Reserva Biológica de Sooretama.

Mas desta vez o objetivo foi apresentar esse contexto ao restante da equipe, para que o documentário nasça de uma vivência real do território. Nossa equipe precisava ver de perto a beleza da floresta e as tensões que atravessam sua existência.

Foto: Felipe Facini

Foto: Felipe Facini

Foto: Felipe Facini

Foto: Leonardo Merçon

Durante a visita, passamos pela Reserva Natural Vale, pela Reserva Biológica de Sooretama e por trechos fundamentais para a narrativa do filme. Entre eles, a BR-101, que corta esse complexo florestal.

Administrada pela Ecovias Capixaba, a rodovia é um ponto incontornável para entender os desafios da conservação na região.

Estudos conduzidos por pesquisadores da UFES, coordenados pelo professor Aureo Banhos, mostram que o trecho que atravessa a paisagem local, com cerca de 25 quilômetros, fragmenta populações silvestres e está associado a frequentes atropelamentos de fauna.

Ainda assim, o documentário não nasce para olhar apenas para a ferida, mas para a grandeza da vida que persiste apesar dela e pedir uma solução conjunta para essa questão.

Ao longo dessa primeira visita técnica, foram levantadas referências visuais e definidos caminhos de produção. Tentamos construir uma compreensão mais profunda sobre o tom que o filme precisa ter.

A obra mostrará uma floresta viva, pulsante, complexa e insubstituível. Um território onde decisões humanas podem significar proteção ou perda.

Talvez seja justamente isso que o mosaico verde nos ensina. A vida pede passagem não só quando tenta cruzar uma rodovia. Ela pede passagem também quando quer continuar existindo!

EQUIPE DE CAMPO:
Direção e Roteiro: Klaus’Berg
Produção Executiva e Roteiro: Raphael Gaspar
Direção de Produção: Iasmin Macedo Gois
Coordenação de Produção: Eddy Argão
Direção de Fotografia/Cinegrafista: Leonardo Merçon
Cinegrafista: Felipe Facini, Francisco Xavier
Assistente de câmera e GMA: Felipe Mattar e Marcella Rosa
Captação de Som: Fernando Paschoal