Acompanhe o nosso liveblog sobre o caso de hantavírus no cruzeiro
O navio de cruzeiro MV Hondius, suspeito de ser um foco de hantavírus, vai atracar em Tenerife dentro de três dias, confirmou esta quarta-feira o Ministério da Saúde de Espanha, citado pelo El Espanol. O Hospital Universitário de La Candelaria, em Santa Cruz de Tenerife, será o centro de tratamento para os passageiros potencialmente infetados.
Em conferência de imprensa, a ministra da Saúde, Mónica García, garantiu que assim que o navio chegar ao porto de Granadilla de Abona, serão todos encaminhados para os seus países. Além disso, “todos os passageiros e tripulantes estão atualmente assintomáticos“, disse, citada pelo El Mundo.
García sublinhou, também, que esta operação não representa nenhum risco para a população, uma vez que o porto tem “muito pouca atividade e é secundário, localizado a dez minutos do Aeroporto de Tenerife Sul”.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou que se está a coordenar com as autoridades espanholas para que o navio possa atracar nas ilhas Canárias e o Ministério da Saúde espanhol disse que o país “tem a obrigação moral e legal de auxiliar estas pessoas”. Até à manhã desta quarta-feira, a organização anunciou na rede social X a existência de oito casos (três dos quais confirmados em laboratório e cinco suspeitos), números que incluem os três mortos.
Swiss authorities have confirmed a case of #hantavirus identified in a passenger from the MV Hondius cruise ship.
He had responded to an email from the ship’s operator informing the passengers of the health event, and presented himself to a hospital in Zurich, Switzerland, and… pic.twitter.com/4mmBd7qSA4
— World Health Organization (WHO) (@WHO) May 6, 2026
O presidente do governo regional das Canárias, Fernando Clavijo, rejeita, no entanto, a escala do navio no arquipélago autorizada pelo Governo espanhol, solicitando uma “reunião urgente” com o presidente, Pedro Sánchez. A decisão, na sua opinião, não obedece a “nenhum critério técnico” nem existe “informação suficiente para transmitir uma mensagem de calma e garantir a segurança da população das Canárias”.
Em declarações à Onda Cero, Clavijo criticou o Governo de Espanha pela sua “deslealdade institucional” e falta de profissionalismo por não o ter mantido informado. Repreendeu, ainda, a ministra da Saúde, Mónica García, por não lhe terem transmitido explicações sobre os critérios seguidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Não posso permitir que entre nas Canárias“, insistiu.
Espanha aceitou, na sequência da pressão da OMS e da União Europeia, que o cruzeiro fizesse escala nas Canárias para gerir os cuidados de saúde dos passageiros e da tripulação ao abrigo de um rigoroso protocolo internacional. Num comunicado divulgado na rede social X por volta das 21h30 de terça-feira, lia-se que a OMS em coordenação com a UE tinha acabado “de solicitar ao Governo de Espanha que acolha a embarcação nas Ilhas Canárias em cumprimento do Direito Internacional e do espírito humanitário”.
España acogerá la embarcación MV Hondius en las Islas Canarias en cumplimiento del Derecho Internacional y el espíritu humanitario. pic.twitter.com/V2Joo7CXgp
— Ministerio de Sanidad (@sanidadgob) May 5, 2026
A ministra da Saúde, Mónica García, respondeu, ainda na conferência de imprensa desta quarta-feira, às críticas Clavijo, afirmando: “Não vamos entrar em polémicas políticas, não é o caso. Este Governo já geriu muitas crises”.
O MV Hondius, de bandeira holandesa, deverá abandonar o arquipélago de Cabo Verde nas próximas horas, após a retirada médica de dois tripulantes doentes e de um caso de contacto. Os três infetados serão repatriados para os Países Baixos e para a Alemanha em ambulâncias aéreas.
O Governo da Suíça confirmou também, esta quarta-feira, que o oitavo passageiro infetado pelo hantavírus está a receber tratamento em Zurique e que não existe qualquer perigo para a população do país.
O navio fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem. Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 6 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
[Ao décimo dia em Nova Iorque dá-se o homicídio brutal. As últimas horas, o que aconteceu no quarto 3416 e a confissão de Renato sobre como matou Carlos Castro. O acesso aos ficheiros da investigação permite reconstituir toda a investigação ao crime. Ouça o quinto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio e aqui o quarto episódio]

Miguel Feraso Cabral