Redação 6 de maio de 2026 às 19h00min

Os dados fazem parte do estudo Radar da Enxaqueca no Brasil, realizado pela Teva Brasil com apoio da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca. (Foto: Reprodução)

Uma parcela expressiva da população brasileira pode estar enfrentando crises frequentes de dor de cabeça intensa sem sequer saber que sofre de enxaqueca. Um levantamento recente indica que cerca de 27 milhões de pessoas no país apresentam sintomas compatíveis com a doença, mas ainda não receberam diagnóstico médico.

Os dados fazem parte do estudo Radar da Enxaqueca no Brasil, realizado pela Teva Brasil com apoio da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca. A pesquisa também mostra que aproximadamente 23 milhões de brasileiros já têm diagnóstico confirmado, o que revela um cenário de ampla subnotificação: para cada pessoa diagnosticada, há mais de uma convivendo com a condição sem acompanhamento adequado.

A enxaqueca é uma doença crônica que exige tratamento contínuo, geralmente com acompanhamento especializado. Ainda assim, muitos pacientes recorrem à automedicação e enfrentam estigmas, o que dificulta o controle das crises e o acesso ao cuidado correto.

O impacto da condição é significativo. Segundo o levantamento, uma parcela relevante dos pacientes relata níveis extremos de dor. Em uma escala de zero a dez, cerca de 35% dos diagnosticados afirmam sentir o grau máximo durante as crises. Entre os não diagnosticados, esse índice também é elevado. Em média, a intensidade da dor chega a 5,9, com episódios que podem durar até 15 horas, afetando diretamente trabalho e atividades do dia a dia.

As mulheres são maioria entre os casos diagnosticados, representando cerca de 75% dos pacientes. Entre aqueles que apresentam sintomas, mas não têm diagnóstico, elas ainda predominam, embora haja aumento proporcional de homens nesse grupo. O estudo também evidencia desigualdades sociais no acesso ao diagnóstico. A maior parte das pessoas sem confirmação médica está nas classes C, D e E, muitas com renda de até dois salários mínimos. Os resultados reforçam a necessidade de ampliar o acesso à informação, diagnóstico e tratamento, especialmente entre populações mais vulneráveis, onde a doença tende a ser subestimada ou negligenciada.

Por Jorge Brandão