Isto, apesar de o governo de Madrid ter informado que as Canárias, que eram o destino final do navio cruzeiro, depois de sair da Argentina com 149 passageiros de 23 nacionalidades, teriam de receber a embarcação, por “não existir risco para as Canárias” e até pelos protocolos existentes com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), do ponto de vista do interesse da saúde pública.
Ao DN, Filipe Froes, médico intensivista e pneumologista e também ex-coordenador da comissão de risco da Ordem dos Médicos para a pandemia da covid-19, diz não comentar as questões políticas espanholas, mas que, “do ponto de vista técnico, Portugal estaria preparado para que o navio atracasse e para que fossem tomadas todas as medidas de segurança de acordo com os protocolos internacionais”. Sublinhando mesmo: “As regiões autónomas da Madeira e dos Açores teriam condições para que o navio atracasse, nomeadamente através de utilização de equipamento de proteção individual, para que fosse feita a identificação de casos afetados, de quem interveio junto destes doentes, isolamento de casos suspeitos e de contacto direto próximo”.
Como diz, “não se estaria a fazer nada mais nada menos, ou nada de diferente, do que que se fez durante a pandemia da covid-19 e a seguir as regras protocolares de surtos. Por isso é que digo que tanto a Madeira como os Açores estariam habilitados a permitir que o navio atracasse”.
Recorde-se que até agora são conhecidas três mortes devido a infeções respiratórias, provocadas por este hantavírus, da espécie que permite o contágio entre humanos, e mais três casos em tratamento, um doente em Zurique e outros dois na África do Sul. No entanto, há mais cinco casos suspeitos, os restantes passageiros, segundo as autoridades espanholas, “estão assintomáticos”.
O especialista português salienta ainda que no caso desta espécie de hantavírus, “há uma particularidade”. Ou seja, “a transmissão entre pessoas requer contacto próximo e prolongado e isso só ocorre, geralmente, quando há sintomas, quando as pessoas têm febre, prostração ou tosse. É nesta fase inicial da doença, nos primeiros três a cinco dias, que há maior risco de transmissão, antes muito dificilmente são transmissoras”.
Neste caso especifico, Filipe Froes explica que “as pessoas que correm maior risco de adquirir a doença são as que tiveram contacto direto, próximo e prolongado com os casos infetados, os cuidadores, por exemplo, os cônjuges, os parceiros sexuais e até os profissionais de saúde que vão ter de efetuar procedimentos a estes doentes”.