Esta é a primeira vez que Espanha recebe um Papa desde 2011. O Papa Francisco nunca visitou o país. Isso foi algo que aborreceu os espanhóis?
Não sei se aborreceu ou não. O que é certo é que temos muita vontade de o ter connosco. Além disso, estamos particularmente contentes porque há muitas cidades que o quiseram receber — Santiago de Compostela, Saragoça, Sevilha, muitos sítios —, e a resposta do Papa foi: estejam tranquilos, esta é a primeira visita a Espanha. Portanto, todos estão muito contentes e isso nota-se quando vamos às autoridades, aos presidentes de câmara, aos presidentes das comunidades autónomas. Há um acolhimento absolutamente entusiasmado por ter o Papa na nossa terra.

Os dados parecem mostrar uma Espanha que está num processo de secularização, como toda a Europa. Continua a ser um país culturalmente católico, como Portugal e outros, mas o número de praticantes está em queda, bem como o número de casamentos, de batismos, etc. Espanha é um exemplo de uma Europa onde a religião parece ter perdido a importância que teve no passado?
Não há dúvidas de que Espanha sofreu, como o resto da Europa, uma descristianização forte. Ao mesmo tempo, há muitos elementos que fazem pensar que há sinais de esperança. Aumentou o número de seminaristas, aumentou o número de pessoas que pedem o ensino da religião nas escolas públicas, que puseram o X na declaração fiscal para contribuir para as despesas da Igreja. Há muitas conversões de adultos. É certo que também há muitos dados que são tristes. Um menor número de batizados, abaixo dos 50%; um número muito baixo de matrimónios cristãos, sem dúvida. Precisamente por isso, é importante que venha o Papa, que anime os católicos e que, àqueles que não são católicos, lhes diga que a Igreja é um grande sítio para se viver.

Enquanto Francisco preferiu as periferias do mundo, visitou muitos países, mas poucos na Europa, o Papa Leão estará, com esta viagem, a ver a Europa como um lugar de missão no século XXI?
Não sabemos porque é que o Papa escolheu Espanha como a sua primeira viagem europeia, sem contar com o Mónaco. Mas estamos especialmente felizes por ter escolhido Espanha, ainda antes dos Estados Unidos, ainda antes do Peru, antes que os dois países que o Papa Francisco também não visitou, a Argentina e o Uruguai. Estamos muito contentes. Porque é que Espanha poderá ser uma prioridade? Não o sabemos, mas parece-nos muito bem.

Não necessariamente Espanha, mas a Europa: pensa que o Papa Leão se está a voltar mais para a Europa do que o Papa Francisco?
Não o sabemos, porque esta será a sua primeira viagem europeia.

E o que pensa sobre o modo como Espanha se está a preparar para a visita? Muito se tem escrito sobre o regresso dos jovens à religião, como mencionou. Nota isso, por exemplo, no envolvimento dos jovens na preparação da visita?
Totalmente. A preparação baseia-se em voluntários. Em Madrid já vamos nos 16 mil voluntários. Em Barcelona já conseguiram todos os voluntários de que precisam. Os voluntários, também jovens, nas Canárias também estão com bom ritmo. Há entusiasmo e, como acontece em Espanha, há entusiasmo, curiosidade e também um pouco de ignorância — por isso queremos que a visita possa ajudar a aproximar muitos jovens de Deus e da Igreja.

A primeira paragem da viagem será em Madrid. Provavelmente será a parte mais política da viagem, com encontros com o Congresso e com os Reis. Sabemos também que as viagens são momentos em que a voz do Papa é mais escutada a nível global — aconteceu isso com esta viagem a África e com a troca de palavras com Trump sobre a guerra no Irão. Pensa que a viagem a Espanha, que é também um dos governos europeus mais críticos de Trump, pode trazer novos momentos de intervenção política do Papa?
Em Madrid terá encontros em chave, não diria política, mas em chave de visita de Estado. O Papa é, ao mesmo tempo, um líder espiritual e um chefe de Estado. Quando vai a um país, tem de exercer as duas condições. Portanto, em Madrid, onde estão as autoridades do Estado, será recebido pelo Rei, receberá as autoridades públicas e visitará as Cortes. Porque as Cortes e o Rei estão em Madrid. Mas, depois, quando terminar essa fase da visita de Estado, começa a visita pastoral, que é maioritária, também em Madrid. Em Madrid estará um pouco mais tempo do que em Barcelona e, portanto, a parte pastoral é a parte mais importante da viagem.