Na madrugada de 10 de agosto de 2025, o fiorde de Tracy Arm, no Alasca, foi atingido por um megatsunami provocado por um deslizamento de terras associado ao recuo de um glaciar. Os investigadores descrevem o evento como o maior alguma vez registado, com uma onda que atingiu 481 metros de altura.

O glaciar Dawes no fiorde Endicott Arm, em Tracy Arm, na área selvagem de Fords Terror, no sudeste do Alasca.
VW Pics / GETTY IMAGES
Na madrugada de 10 de agosto de 2025, o fiorde de Tracy Arm, no Alasca, habitualmente visitado por navios de cruzeiro, foi palco de um tsunami provocado por um deslizamento de terras num glaciar associado às alterações climáticas.
De acordo com um estudo publicado na revista Science, os investigadores concluíram que este terá sido o maior tsunami alguma vez registado.
A onda atingiu os 481 metros de altura, superando edifícios emblemáticos como o The Shard, em Londres, com 310 metros, a Torre Eiffel, em Paris, com 330 metros, ou o Empire State Building, em Nova Iorque, com 381 metros.
O glaciar Dawes no fiorde Endicott Arm, em Tracy Arm, na área selvagem de Fords Terror, no sudeste do Alasca.
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O tsunami ocorreu por volta das 05h26 da manhã e, por isso, não havia embarcações na área nem se registaram vítimas. Em declarações ao The Guardian no ano passado, o cientista Dennis Staley, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), classificou o evento como um “fenómeno histórico”.
“Com as regiões de fiordes a serem cada vez mais visitadas por navios de cruzeiro, e com as alterações climáticas a tornarem eventos semelhantes mais prováveis, este episódio inesperado, que por pouco não teve consequências graves, evidencia o risco crescente de deslizamentos de terras e tsunamis em ambientes costeiros”, afirmaram os investigadores no relatório.
O evento gerou ondas sísmicas de longo período detetadas em todo o mundo, com uma energia equivalente à de um sismo de magnitude 5,4 na escala de Richter. O deslizamento teve origem a mais de 1000 metros de altitude. O impacto atingiu o glaciar, que ficou parcialmente coberto por detritos, provocando a libertação de grandes blocos de gelo para o fiorde.
“A vegetação arrancada forma essencialmente uma linha muito nítida, abaixo da qual há apenas rocha, sedimentos e alguns cepos de árvores, e acima da qual existe floresta virgem, tal como estava em 9 de agosto antes do tsunami. Como dois mundos diferentes”, refere o estudo.
Maior onda de sempre foi registada em 1958
Este tipo de fenómeno é conhecido como “megatsunami”, o termo usado para descrever ondas que ultrapassam os 100 metros de altura. Ao contrário dos tsunamis mais comuns, geralmente provocados por sismos submarinos, os megatsunamis resultam de deslocamentos súbitos e de grande escala, como deslizamentos de terra, quedas de gelo ou até impactos de meteoritos.
Nas últimas décadas, o Alasca foi atingido por vários tsunamis, alguns de grande dimensão. O mais extremo de sempre ocorreu na baía de Lituya, em 1958, quando um deslizamento de terras desencadeou um megatsunami cuja onda atingiu cerca de 524 metros de altura.