Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e da unidade de investigação RiSE-Health estabeleceram um modelo molecular que permite prever e estratificar melhor o risco em crianças e jovens adultos com cancro da tiroide a longo prazo.
O estudo, publicado no European Thyroid Journal, tem como principal autora Sule Canberk, investigadora FMUP e da unidade de investigação RISE-Health.
Citada em comunicado Canberk refere: “mostrámos que as alterações genéticas do tumor podem ajudar a perceber melhor a evolução da doença e a adaptar o acompanhamento de cada criança ou jovem. Este é um passo importante numa área em que a informação genética ainda está a ser integrada na prática clínica”.
De acordo com a investigadora, “embora o prognóstico tenha melhorado progressivamente com a idade, o estado de mutação permanece como o fator dominante na determinação dos resultados”.
O cancro diferenciado da tiroide nestas faixas etárias representa um paradoxo clínico: apesar de uma apresentação agressiva no início, o prognóstico a longo prazo nestas crianças e jovens é geralmente excelente, com uma mortalidade muito baixa.
O objetivo deste trabalho era testar o efeito prognóstico de um conjunto de mutações (alterações genéticas) em crianças e jovens adultos. Estas mutações afetam o ADN e transformam células normais em células tumorais.
O trabalho tem como coautores vários investigadores, com destaque para Fernando Schmitt, professor da FMUP e diretor da unidade de investigação RISE-Health.
O grupo inclui ainda cientistas da Universidade de Istambul (Turquia), Universidade de Nápoles (Itália), Children’s Hospital of Philadelphia, Universidade de Pensilvânia e Neck Surgery at Vanderbilt Children’s Hospital, Tennessee, nos Estados Unidos.