Durante anos, ninguém soube quem era “Twinkle”, o administrador de um dos maiores sites de pedofilia da dark web, onde eram partilhados abusos sexuais de bebés e crianças até aos cinco anos. Procurado por autoridades de vários países, acabou por ser identificado em 2017 pela Polícia Judiciária e pelo FBI, vivia discretamente com os pais numa aldeia de Águeda.
O caso de “Twinkle”, considerado o maior pedófilo português alguma vez condenado em Portugal, voltou a ganhar destaque internacional após novas reportagens e documentários sobre a operação que levou à sua captura.
Pedofilia: a caça internacional ao administrador da rede
O fórum era utilizado por criminosos de vários países e encontrava-se protegido por ferramentas de anonimato da dark web, dificultando o trabalho das autoridades. O caso mobilizou investigadores da Polícia Judiciária portuguesa, FBI, Europol e outras agências internacionais especializadas em cibercrime.
As autoridades passaram anos a tentar perceber quem estava por trás da plataforma. Segundo detalhes conhecidos da investigação, pistas linguísticas, horários de atividade online e diversos elementos digitais acabaram por apontar para Portugal.
Detido numa aldeia em Águeda
Em 2017, a operação internacional culminou na detenção de Nuno Melo, então com 27 anos, numa aldeia do concelho de Águeda, onde vivia com os pais. Para os vizinhos, tratava-se de uma pessoa discreta e sem qualquer notoriedade pública.
A descoberta chocou investigadores e população local devido à dimensão da rede que coordenava a partir de Portugal.
Em 2017, a PJ recebeu informação da polícia australiana, que havia detido um suspeito por crimes de pedofilia e apreendido conteúdos provenientes do fórum Baby Heart. Entre o material recolhido havia publicações em português e referências a um endereço associado a uma operadora de telecomunicações nacional, o que constituiu o primeiro indício de que o responsável pela rede poderia ser português.
Segundo a acusação, “Twinkle” administrava uma das maiores comunidades mundiais dedicadas à partilha de conteúdos de abuso sexual infantil.
Polícia Judiciária teve papel central
A Polícia Judiciária portuguesa teve um papel decisivo na identificação do suspeito e na recolha de provas digitais. A operação foi considerada uma das mais complexas investigações de cibercrime sexual realizadas em Portugal.
Durante as buscas, as autoridades apreenderam equipamentos informáticos e grandes quantidades de material ilegal. A investigação permitiu ainda identificar utilizadores e ligações internacionais associadas à plataforma.
Condenado à pena máxima
Em 2019, o Tribunal Central Criminal de Lisboa condenou Nuno Melo à pena máxima de 25 anos de prisão por centenas de crimes relacionados com pornografia infantil e abuso sexual de menores.
O caso continua hoje a ser referido internacionalmente como um exemplo da crescente sofisticação das redes criminosas na dark web e da cooperação entre polícias de vários países no combate à exploração sexual infantil online.
