Israel diagnosticou o primeiro caso de hantavírus no país, avança o ‘Jerusalem Post’, citando informações do ‘Maariv’. O doente terá sido infetado durante uma estadia na Europa de Leste, há vários meses, e procurou assistência médica depois de desenvolver sintomas compatíveis com a doença.
Para já, não podem ser divulgados detalhes sobre a identidade do paciente, o local de residência ou a unidade hospitalar onde foi feito o diagnóstico.
De acordo com a informação conhecida, o doente realizou inicialmente um teste de anticorpos depois do aparecimento dos sintomas, que indicou exposição ao hantavírus. Posteriormente, um teste PCR confirmou a presença de material genético do vírus.
O estado clínico do paciente é considerado estável. Até ao momento, não precisou de cuidados intensivos nem de isolamento rigoroso, mas mantém-se sob observação médica. O caso foi comunicado ao Ministério da Saúde israelita.
Infeção não está ligada à estirpe Andes do cruzeiro ‘MV Hondius’
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Apesar de ser raro em Israel, este não é o primeiro caso envolvendo cidadãos israelitas. Há cerca de uma década, vários israelitas foram suspeitos de infeção por hantavírus durante viagens pela América do Sul.
A diferença agora é relevante: segundo o ‘Jerusalem Post’, o paciente diagnosticado em Israel foi infetado por uma estirpe europeia do vírus, e não pela estirpe Andes, que está associada ao surto no navio de cruzeiro ‘MV Hondius’.
A estirpe Andes, originária sobretudo da Argentina e do Chile, é considerada particularmente sensível porque há registos raros de transmissão entre pessoas, em situações de contacto próximo e prolongado.
A maioria das restantes estirpes de hantavírus, incluindo as presentes na Europa e na Ásia, é transmitida principalmente de roedores para humanos.
Surto no ‘MV Hondius’ continua sob vigilância internacional
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O caso em Israel surge num momento em que o surto associado ao MV Hondius continua a preocupar autoridades de saúde em vários países.
Até agora, três passageiros morreram no surto ligado ao navio: um casal neerlandês e um cidadão alemão. No total, foram reportados oito casos confirmados ou suspeitos associados à viagem, incluindo um cidadão suíço hospitalizado em Zurique.
O navio transportava cerca de 147 passageiros e tripulantes de 23 países. Partiu de Ushuaia, no sul da Argentina, a 1 de abril, tendo passado pela Antártida e por ilhas remotas do Atlântico Sul, incluindo Geórgia do Sul, Tristão da Cunha, Santa Helena e Ascensão.
Depois de terem sido registados vários casos de doença respiratória grave a bordo, o navio ficou fundeado ao largo da Praia, em Cabo Verde, sem autorização para desembarque de passageiros.
Três doentes foram entretanto retirados do navio, dois deles em estado grave. A embarcação seguiu depois para as Ilhas Canárias, após Espanha ter anunciado que permitiria a atracagem por razões médicas e humanitárias.
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Segundo as autoridades espanholas, o navio deverá chegar a Tenerife dentro de cerca de três dias. Caso as pessoas a bordo permaneçam sem sintomas, os passageiros estrangeiros deverão ser posteriormente repatriados.
Não há tratamento antiviral específico
A gravidade da doença varia consoante a estirpe, o nível de exposição e o estado geral de saúde do paciente.
O diagnóstico baseia-se na suspeita clínica, no historial de exposição e em testes laboratoriais. Os testes de anticorpos podem indicar contacto com o vírus, enquanto exames moleculares, como o PCR, permitem detetar o material genético viral.
Atualmente, não existe tratamento antiviral comprovado para a maioria dos casos de hantavírus. O tratamento é sobretudo de suporte e pode incluir vigilância médica, administração cuidadosa de líquidos, oxigénio, tratamento da pressão arterial baixa, apoio à função renal e, nos casos mais graves, internamento em cuidados intensivos e ventilação mecânica.
A principal forma de reduzir o risco é a prevenção: afastar roedores, selar aberturas, guardar alimentos em recipientes fechados e evitar varrer ou aspirar de forma seca excrementos de roedores, porque isso pode libertar partículas contaminadas para o ar.