Dez alunos do 12.º ano da Escola Secundária José Relvas, em Alpiarça, no distrito de Santarém, foram suspensos após terem tido acesso antecipado ao enunciado dos testes de avaliação através do e-mail da reprografia. O caso foi avançado em janeiro pelo jornal local O Mirante, mas ganhou agora mais contornos devido a uma providência cautelar.

No final de janeiro, O Mirante revelou que a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) e a Polícia Judiciária (PJ) estavam a investigar uma “alegada falha de segurança no sistema informático” da escola, que teria “o acesso antecipado ao conteúdo integral de testes de avaliação”. Além da investigação, também o estabelecimento de ensino decidiu abrir um processo de inquérito.

O caso foi descoberto a 8 de janeiro, após uma aluna do 11.º ano ter sido apanhada com cábulas que continham as respostas para um teste de Geografia. A jovem acabou por denunciar uma colega, do 12.º ano, que confessou o esquema. 

Na altura, a publicação local indicou que a aluna do 11.º ano tinha sido alvo de um “interrogatório considerado abusivo”, que envolveu “gritos, ameaças, intimidação psicológica e recolha de fotografias, com o objetivo de a pressionar a revelar como teria obtido o teste”.

A presidente do Conselho Administrativo, Teresa Gomes, negou que a aluna tivesse sido ameaçada ou intimidada, mas admitiu a possibilidade de que algum professor possa “ter estado mais enervado”. 

Segundo alguns encarregados de educação, a palavra-passe do e-mail da reprografia “mantinha-se inalterada há vários anos, permitindo um acesso fácil e indevido aos testes”. 

Suspeita-se que o esquema na Escola Secundária José Relvas dure “há mais de quatro anos, durante os quais vários alunos tiveram acesso antecipado a testes através do mesmo método”.

Metade dos alunos não cumpriu suspensão. Pais avançaram com providência cautelar

Esta quinta-feira, meses após o caso ter sido descoberto, o Correio da Manhã revelou que dez alunos foram suspensos após a conclusão do inquérito interno. No entanto, metade não cumpriu o castigo e voltaram à escola na quarta-feira, após os pais terem interposto uma providência cautelar. 

Além disso, revelou o diário, as notas obtidas de forma fraudulenta – algumas delas de 20 valores – não foram anuladas e podem beneficiar os alunos no acesso ao Ensino Superior. 

“É uma grande injustiça porque estão a competir a nível nacional”, lamentou um dos docentes do estabelecimento de ensino.

O Notícias ao Minuto contactou o Agrupamento de Escolas José Relvas para obter um esclarecimento, estando a aguardar resposta. 

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