De repente o mundo ficou sem 20% do petróleo mundial, mas há quem se tenha fartado e tenha encontrado uma solução alternativa para responder a parte do problema
Perante a incerteza da segurança de navegação no Estreito de Ormuz, mas a perder milhões a toda a hora, os Emirados Árabes Unidos tomaram uma decisão arriscada sobre o que fazer com muito do petróleo que têm parado no Golfo Pérsico.
De acordo com a agência Reuters, que cita fontes da indústria e dados de navegação, o pequeno país, que é um dos maiores produtores mundiais de petróleo, cansou-se da indefinição sobre se o canal por onde passa cerca de 20% do chamado ouro negro está ou não aberto.
Em vez de esperar, os Emirados Árabes Unidos decidiram colocar os seus navios em marcha, optando por uma posição arriscada, mas que pode compensar financeiramente.
Com os dispositivos de localização dos seus navios desligados, os Emirados Árabes Unidos conseguiram fazer passar vários petroleiros, escapando à apertada vigilância do Irão, que continua a reclamar a posição de dono e senhor do Estreito de Ormuz.
Apesar de serem apenas uma pequena porção daquilo que o país exporta diariamente, que num fluxo normal amonta a mais de quatro milhões de barris por dia, esta ideia permitiu escoar muito do petróleo que se começava a deteriorar a bordo dos navios.
Colocando prós e contras em cima da mesa, a decisão mostra bem como produtores e compradores estão dispostos a correr riscos para terem o que querem, o petróleo de países como Emirados Árabes Unidos, mas também de Iraque, Kuwait ou Catar, que não têm a alternativa encontrada pela Arábia Saudita de escoar algum do produto através do Mar Vermelho.
Segundo a agência Reuters, a ADNOC, uma das principais petrolíferas dos Emirados Árabes Unidos, conseguiu exportar quatro milhões de barris de Zakum e outros dois milhões de Das no mês de abril. Não é muito, mas é qualquer coisa, sobretudo para uma gigante petrolífera que se viu obrigada a cortar a produção em um milhão de barris por dia.
Ironicamente, a tática utilizada por estes navios, precisamente a de desligar os dispositivos de localização, é a mesma que o Irão adota sempre que quer fugir às sanções que os Estados Unidos aplicam à sua própria exportação de petróleo.
Os Emirados Árabes Unidos têm sido simultaneamente dos países mais atacados pelo Irão e dos mais vocíferos contra o regime dos aiatolas. Tanto que voltaram a ser atacados em pleno cessar-fogo, já esta semana.