Portugal chegou hoje ao chamado Overshoot Day, o dia em que os recursos naturais disponíveis para todo o ano ficam esgotados. Isto significa que, a partir de agora, o país estará a consumir recursos que “pertencem” ao futuro, acumulando uma dívida ecológica que a natureza não consegue compensar.

O que significa o dia 7 de maio?

Segundo a associação ambientalista Zero, entre 1 de janeiro e 7 de maio os portugueses consumiram tantos recursos naturais quantos os ecossistemas da Terra conseguem regenerar ao longo de um ano inteiro.

Daqui para a frente, usaremos mais do que teoricamente estaria disponível, seja em terra ou no mar, e emitiremos mais dióxido de carbono do que a natureza consegue absorver.

Isto quer dizer que, se toda a população mundial vivesse como um português médio, a humanidade precisaria de cerca de 2,9 planetas para satisfazer as suas necessidades. Um número que obriga a refletir.

Ligeira melhoria, mas pouco para celebrar

Ainda que tímida, há uma nota positiva. Em 2025, a data tinha caído para 5 de maio, pelo que a de 2026 representa uma ligeira recuperação.

A Zero assinala esta parca melhoria na estabilização do consumo, mas sublinha que o valor é praticamente idêntico ao de 2022 e 2023, o que mostra que Portugal continua a bater no mesmo teto há vários anos, sem avanços estruturais relevantes.

Para contexto, em 2024 o país tinha atingido a sobrecarga já a 28 de maio, o que torna 2025 e 2026 anos mais preocupantes nesse indicador.

Como estamos em relação ao resto do mundo?

Portugal posiciona-se sensivelmente na média da União Europeia, cujo Overshoot Day coletivo foi a 3 de maio deste ano.

O Dia da Sobrecarga de um país marca a data em que o Dia da Sobrecarga da Terra ocorreria se toda a humanidade consumisse ao mesmo nível que a população desse país. Fonte: Global Footprint Network

Dentro da Europa, o Luxemburgo é o caso mais extremo, tendo esgotado a sua quota a 17 de fevereiro. Só o Qatar foi pior, logo a 4 de fevereiro.

Do lado mais sustentável, países como a Alemanha, o Reino Unido, a China, a Grécia e Espanha ainda têm margem que Portugal já não tem.

O Brasil só chega ao seu Overshoot Day a 14 de agosto, e as Honduras esticam os recursos até 27 de novembro.

No cômputo global, a humanidade esgotou em 2025 os recursos do planeta a 24 de julho, uma semana mais cedo do que em 2024.

Consumo e mobilidade como principais culpados

A Zero aponta o modelo de produção e consumo como o grande responsável por este desequilíbrio.

Em Portugal, as áreas com maior pegada ecológica são o consumo e a mobilidade, dois pilares do estilo de vida moderno que continuam a pressionar os limites do planeta.

Para inverter a tendência, a associação sugere medidas como as seguintes:

  • Apostar numa agricultura mais sustentável com foco na proteína vegetal;
  • Incentivar o teletrabalho para reduzir deslocações;
  • Privilegiar transportes públicos e menos poluentes;
  • Exigir que os produtos no mercado respeitem critérios de sustentabilidade.

Além das políticas públicas, a Zero lembra que cada cidadão tem um papel, nomeadamente através de:

  • Reduzir o consumo de proteína animal;
  • Optar por meios de transporte sustentáveis;
  • Adotar padrões de consumo mais circulares, evitando o “usar e deitar fora”.

Entretanto, a 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente, a Global Footprint Network vai anunciar o Earth Overshoot Day de 2026 para toda a humanidade.