O rover Curiosity revelou muitas surpresas na superfície de Marte, mas a mais recente é de um tipo totalmente diferente.

Imagem do rover Curiosity a perfurar Marte

Marte tão perto, mas ainda tão desconhecido

Tudo começou como mais uma tentativa normal de perfuração. A 25 de abril de 2026, o rover introduziu a sua broca rotativa-percussiva numa rocha chamada Atacama, com o objetivo de pulverizar o material em pó para que pudesse ser analisado com maior detalhe; até aqui, tudo normal.

No entanto, quando o Curiosity retirou a broca, toda a laje de rocha, com cerca de 13 quilogramas, simplesmente… veio agarrada a ela. Oops.

Isto nunca tinha acontecido nos 13 anos e meio de atividade do Curiosity em Marte, referiu a NASA numa publicação no blogue da agência.

A perfuração já tinha fraturado ou separado camadas superiores de rochas no passado, mas uma rocha nunca tinha permanecido presa ao revestimento da broca.

Explicou a NASA.

Um comportamento impossível de prever na Terra

A verdade é que, mesmo com todos os testes de resistência possíveis, os engenheiros na Terra nunca conseguem prever todos os problemas que um rover irá enfrentar noutro planeta, a centenas de milhões de quilómetros de distância.

Até pequenas diferenças na estrutura das rochas, como fraturas minúsculas, variações na dureza ou a forma como as camadas estão ligadas entre si, podem alterar o comportamento do material sob pressão.

Na Terra, estas propriedades podem ser estudadas diretamente. Em Marte, muitas vezes apenas se revelam no momento em que a broca entra em contacto com a rocha.

O Curiosity mantém uma relação algo complicada com o terreno marciano desde que chegou ao planeta vermelho, em 2012, e a sua broca, em particular, já enfrentou vários contratempos.

A ferramenta combina o movimento rotativo normalmente associado à perfuração com uma força percussiva, semelhante a um martelo, concebida para partir a rocha em pó fino.

Esse pó é depois recolhido pelo rover e entregue aos instrumentos de bordo, que analisam a sua composição química e mineralógica.

A broca do Curiosity já teve vários problemas

Os problemas começaram logo em 2015, quando surgiram curtos-circuitos no mecanismo percussivo. Mais tarde, no final desse mesmo ano, apareceu outro problema, um possível fragmento de detritos estaria a bloquear o travão.

Depois, em novembro de 2016, o avanço da broca bloqueou devido ao mesmo problema relacionado com o travão e, após uma degradação contínua até meados de 2017, as operações de perfuração foram suspensas por tempo indeterminado.

Após testes extensivos, os engenheiros da NASA encontraram uma solução alternativa e as perfurações recomeçaram em 2018.

Desde então, estas operações permitiram várias descobertas importantes, incluindo alcanos de cadeia longa em argilas marcianas, algo difícil de explicar através de alguns processos não biológicos conhecidos, segundo a NASA.

A rocha acabou por se soltar no solo de Marte

Felizmente, a rocha Atacama não ficou presa ao braço do Curiosity durante muito tempo. Inicialmente, a equipa do Curiosity na Terra tentou fazer vibrar a broca para libertar a rocha. Mas ela continuou presa.

A 29 de abril, voltaram a tentar. Parte da areia desprendeu-se da Atacama, mas a rocha permaneceu imóvel. Finalmente, a 1 de maio, a rocha soltou-se.

A equipa do Curiosity voltou a tentar, inclinando mais a broca, rodando e vibrando o sistema, além de fazer girar a ponta da broca.

A equipa planeava repetir estas ações várias vezes, mas a rocha soltou-se logo na primeira tentativa, fraturando-se ao atingir o solo.

Escreveu a NASA.

A missão do Curiosity estava inicialmente prevista para durar apenas cerca de dois anos. As descobertas proporcionadas pelo rover revolucionaram o conhecimento sobre Marte, desde a história da água no planeta até à sua geologia e aos possíveis sinais de antiga vida microbiana.

Ao longo dos anos, o rover subiu o Monte Sharp, analisou sedimentos de antigos lagos na Cratera Gale e detetou moléculas orgânicas preservadas nas rochas marcianas.

Apesar de já mostrar sinais de desgaste, o Curiosity continua ativo e operacional, muito graças aos engenheiros na Terra, que continuam a encontrar formas de adaptação sempre que Marte apresenta algo inesperado.