Decisão surge depois de o presidente dos EUA ter cancelado o plano norte-americano herdado da administração Biden que previa a instalação, na Alemanha, de mísseis capazes de atingir alvos em território russo

A alemã Rheinmetall prepara-se para entrar pela primeira vez no mercado dos mísseis de cruzeiro, numa altura em que a Europa acelera os esforços para reforçar a capacidade militar e dissuadir a Rússia, avança o Financial Times.

O grupo anunciou que a nova empresa conjunta criada com a startup neerlandesa Destinus deverá arrancar com a produção de armamento já no final deste ano ou no início de 2027. A Rheinmetall Destinus Strike Systems irá fabricar mísseis de cruzeiro e sistemas de artilharia balística destinados à Alemanha e a outros clientes internacionais.

A decisão surge depois de Donald Trump ter cancelado o plano norte-americano herdado da administração Biden que previa a instalação, na Alemanha, de mísseis capazes de atingir alvos em território russo. O recuo de Washington levou Berlim e outras capitais europeias a acelerar projetos próprios de armamento de longo alcance.

A Destinus, fundada em 2021, anunciou recentemente ter concluído com sucesso o teste de voo do sistema Ruta Block 2, um míssil com alcance superior a 700 quilómetros. A empresa fornece já mísseis de cruzeiro à Ucrânia e foi incluída, no mês passado, numa lista de possíveis alvos divulgada pelo Ministério da Defesa russo.

Já a Rheinmetall, tradicionalmente ligada à produção de tanques, munições e artilharia, tem vindo a expandir-se para novas áreas impulsionada pelo aumento da despesa militar europeia.

Apesar de os resultados trimestrais terem ficado abaixo das expectativas dos analistas, a empresa acredita numa recuperação ao longo de 2026. O grupo prevê um crescimento das receitas entre 40% e 45%, apontando para vendas superiores a 14 mil milhões de euros.