A jogar na Liga Europa desde Julho do ano passado, o Sp. Braga ia entrar no 20.º jogo da competição a pensar que a final de Istambul estava a 90 minutos de distância. O sonho tornou-se em pesadelo muito antes disso, mas até nem esteve longe de reverter para sonho. Uma expulsão aos 6’, um golo muito caricato sofrido aos 19’, mais um sofrido aos 41’ e uma bola no poste da baliza adversária aos 46’ – isto só na primeira parte. Uma derrota por 3-1 frente ao Friburgo custou aos minhotos uma segunda final europeia, depois de ter saído da primeira mão com uma vantagem mínima obtida no último minuto (2-1). O herói desse primeiro jogo, Mario Dorgeles, foi o vilão involuntário em Friburgo.

Não seria fácil ao Sp. Braga defender essa vantagem mínima frente ao 7.º classificado da Bundesliga, mas era uma missão que a equipa de Carlos Vicens estava capacitada para fazer. O Sp. Braga não iria jogar para o empate, garantia o técnico espanhol, iria ser a sua melhor versão, a controlar, a dominar e a atacar. Esta era a teoria. Aos 6’, foi tudo pela janela. Grifo recebeu uma bola de costas para a baliza na zona do meio-campo, tirou Victor Carvalho do caminho e distribuiu para Beste. O ex-Benfica acelerou, ganhou a frente a Dorgeles e, antes de entrar na grande área, foi derrubado pelo marfinense. Era uma situação de golo iminente e o árbitro não teve dúvidas em puxar do cartão para expulsar Dorgeles.

Foi uma cruel coincidência ser ele o expulso depois de ter subido ao céu com o golo que marcara há uma semana e que deixara os minhotos em vantagem. A jogar com menos um praticamente desde o início, a formação minhota perdeu força para se impor perante o Friburgo. Foi obrigada a jogar descaracterizada, uma equipa de circulação obrigada a transformar-se numa equipa de contenção para defender até ao limite a sua vantagem.

Os minhotos até pareceram reagir bem à inferioridade numérica nos primeiros minutos, mas o jogo tinha fugido do seu controlo e a resistência durou pouco. Aos 19’, num mau alívio defensivo, a bola chegou a Lukas Kubler, sem a conseguir dominar, mas o lateral alemão foi feliz numa série de ressaltos e foi dele o último toque na direcção da baliza de Hornicek. A eliminatória estava empatada, mas o Sp. Braga ainda se podia encolher e resistir – levar o jogo a prolongamento.

Mas os bracarenses não têm rotinas de equipa de contenção e o Friburgo tomou conta das operações por completo, muito bem conduzido pelo jovem médio suíço Johan Manzambi. E foi ele que colocou a equipa alemã em vantagem na eliminatória, com um remate indefensável de fora da área. Sem capacidade de jogar com as suas forças, o Sp. Braga estava obrigado a jogar em transição e, já para lá dos 45’, teve uma oportunidade enorme para empatar. Pau Victor distribuiu para a direita, Victor Gómez entrou na área com a bola controlada, ultrapassou o guarda-redes Atubolu e acertou no poste. Na recarga, Zalazar acertou num defesa.

Afinal, ainda havia vida neste Sp. Braga. Um golo iminente no final da primeira parte podia inspirar os bracarenses que a final não estava assim tão longe. Logo a abrir, Grifo, que marcara na primeira mão, também acertou no poste e o Friburgo voltou a tomar conta do jogo. Encolhido na sua área, o Sp. Braga voltou a ter uma boa oportunidade de marcar, de novo com Victor a distribuir, desta vez para Gorby, que atirou com pouca convicção.

Tudo pareceu ainda pior para os minhotos quando, aos 72’, Kubler fez o 3-0, de cabeça, assistência de Grifo. Eliminatória fechada e fora do alcance, certo? Errado. Aos 79’, um cabeceamento certeiro de Pau Victor a um cruzamento de Victor Gómez, depois de uma bola endossada por Moutinho, deixou o prolongamento a um golo de distância e ainda com uma boa dose de minutos para jogar. O Friburgo encolheu-se e ficou com medo. E Sp. Braga finalmente libertou-se. Teve cantos e remates perigosos, mas não teve mais nenhum golo.

Na outra meia-final, o Aston Villa goleou o Nottingham Forest, treinado pelo português Vítor Pereira, por 4-0 e, dessa forma, anulando o trunfo por 1-0 do Forest na primeira mão e apurando-se para a final da Liga Europa.