O Papa Leão XIV e Marco Rubio debateram esta quinta-feira a situação no Médio Oriente num encontro no Vaticano onde, segundo um porta-voz do Departamento de Estado, o chefe da diplomacia norte-americana “sublinhou a forte relação entre os Estados Unidos e a Santa Sé”.

“O secretário de Estado Marco Rubio reuniu-se hoje com Sua Santidade o Papa Leão XIV para discutir a situação no Médio Oriente e temas de interesse mútuo no Hemisfério Ocidental”, indicou, num comunicado, Tommy Pigott.

O porta-voz do Departamento de Estado sublinhou ainda o “compromisso partilhado” entre os EUA e a Santa Sé para “promover a paz e a dignidade humana”.

Uma fonte do Departamento de Estado descreveu à agência France-Presse (AFP) que a reunião, que decorreu após duras críticas de Donald Trump ao Papa, foi “amigável e construtiva”.

Incomodado com as críticas do líder da Igreja Católica – o norte-americano Robert Prevost – à guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão e aos responsáveis políticos que “abusam da mensagem cristã” para justificar intervenções militares, o Presidente republicano descreveu o Papa como “terrível”, amigo da “esquerda radical”, “péssimo em política externa” e “fraco em matéria de criminalidade”.

Pouco depois de ter criticado o Papa Leão XIV, no mês passado, Trump publicou nas redes sociais uma imagem de inteligência artificial, que depois apagou, em que surgia retratado como Jesus Cristo, com a luz numa mão e a outra sobre a testa de um homem deitado.

Esta visita de Rubio ao Vaticano foi, por isso, descrita pela imprensa italiana como uma tentativa do Governo dos EUA de “apaziguar as relações” entre a Casa Branca e a Santa Sé.

No início desta semana, porém, Trump voltou à carga, afirmando que “o Papa está a pôr em perigo muitos católicos e muitas pessoas” porque “não se importa que o Irão tenha uma arma nuclear”.

Leão XIV respondeu a Trump, como já fez noutras ocasiões, após ser questionado por jornalistas: “A missão da Igreja é proclamar o Evangelho, pregar a paz. Se alguém quiser criticar-me por proclamar o Evangelho, que o faça com a verdade”, disse.

O Vaticano ainda não fez qualquer declaração após a audiência à porta fechada, que durou cerca de 45 minutos.

Depois do encontro com o Papa, Rubio reuniu-se com o secretário de Estado e “número dois” da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin.

“Analisaram os esforços humanitários em curso no Hemisfério Ocidental e as iniciativas para alcançar uma paz duradoura no Médio Oriente”, afirmou o Departamento de Estado, num outro comunicado, explicando que a troca de ideias entre Rubio e o Papa “foram um testemunho da forte e contínua parceria entre os EUA e a Santa Sé em apoio à liberdade religiosa”.

Marco Rubio encontra-se na sexta-feira com Giorgia Meloni, primeira-ministra de Itália e aliada de Trump dentro do movimento internacional da direita radical, que, não obstante, condenou as críticas ao Papa, dizendo que os comentários do Presidente norte-americano sobre ele são “inaceitáveis”.