O líder do partido Chega, André Ventura, esteve ontem à noite (6 de maio) no canal Now para uma entrevista dedicada – em grande parte – a defender a sua proposta de diminuir a idade mínima de acesso à reforma sem penalizações. Respondendo às acusações de “populismo”, ou constatações de que “não há dinheiro para tudo”, o deputado contrapôs: “Mas o que é para tudo, um país que paga 40% de carga fiscal de impostos. Para tudo podíamos dizer se estivéssemos num país como há alguns que pagam taxas de 15 e 20%.”

Logo a seguir à entrevista, ainda na noite de 6 de maio, Pedro Santos Frazão publicou nas redes sociais um clip de vídeo da entrevista e fez questão de expressar apoio ao líder do seu partido. “Os portugueses enfrentam a maior carga fiscal de sempre e, mesmo assim, o sistema quer obrigá-los a trabalhar até cada vez mais tarde”, escreveu Santos Frazão, deputado e dirigente do Chega, na publicação em causa.

É verdade que a carga fiscal em Portugal ascende a “40% do PIB” e destaca-se como “a maior de sempre”?

Não. De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados no dia 26 de março de 2026, a carga fiscal aumentou 0,2 pontos percentuais em 2025, para 35,4% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo-se a uma distância significativa do referido nível de 40%.

Apesar do ligeiro aumento em 2025, também não é “a maior de sempre”. Nas últimas décadas, esse ponto máximo foi alcançado no ano de 2022, quando a carga fiscal em Portugal ascendeu a 35,9% do PIB.

Mais, a referência de Ventura a “alguns” países “que pagam taxas de 15 e 20%” também não tem sustentação factual, pelo menos no contexto da União Europeia.

De acordo com os últimos dados do Eurostat, nenhum país da União Europeia regista uma carga fiscal entre “15 e 20%”. O único que se aproxima desses valores é a Irlanda com 22,4% do PIB. Quase todos os outros Estados-membros estão acima da fasquia de 30% de carga fiscal.

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