O histórico dirigente do PCP morreu esta quinta-feira aos 93 anos. Com um histórico de problemas de insuficiência cardíaca, Carlos Alfredo de Brito teve alta na segunda-feira, depois de ter estado hospitalizado.


Nasceu em Moçambique e veio para Portugal aos três anos, dizendo-se natural de Alcoutim, no Algarve, onde residia e acabou por falecer. Na juventude foi para Lisboa, frequentando o Instituto Comercial, o atual ISCAL. Ainda com 17 anos aderiu ao MUD Juvenil e, por volta dos 20 anos, juntou-se às fileiras do Partido Comunista Português.


Foi preso três vezes pela PIDE. E esteve durante uns oito anos nas cadeias do Aljube, Caxias e Peniche, onde foi torturado.


Esteve em Moscovo, onde estudou antes de regressar a Portugal e à clandestinidade, tendo sido o responsável pelo PCP em Lisboa no 25 de Abril. Posteriormente, tornou-se o braço direito de Álvaro Cunhal. 


Carlos Brito assumiu a liderança da bancada parlamentar do PCP durante 15 anos e candidatou-se a Belém em 1980, tendo desistido em apoio a Ramalho Eanes.


Defensor da renovação do Partido Comunista Português, insurgindo-se contra o rumo rigidamente marxista-leninista do PCP, acabou por ser suspenso por um período de dez meses, em 2002, por “comportamento fraccionário”, visto que integrava o Movimento Renovação Comunista, um grupo de “renovadores“ dentro do partido. Após essa suspensão, decidiu não regressar às fileiras do PCP.


A 9 de Junho de 1997 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, a 25 de Abril de 2004, com a Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.

O PCP reagiu ao final da noite, “a pedido de vários Órgãos de Comunicação Social, sobre o falecimento de Carlos Brito”, com uma nota: “Sem prejuízo das conhecidas diferenças e distanciamento político, registamos em Carlos Brito o seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar”.