A Arménia acolheu na segunda-feira dezenas de líderes para uma cimeira da Comunidade Política Europeia (CPE).

Na terça-feira, decorreu também em Erevan uma cimeira entre a União Europeia (UE) e a Arménia.

“Na sociedade russa, foi com profunda indignação e incompreensão que se constatou que um país como a Arménia, que costumávamos considerar um país amigo e irmão, serviu de tribuna. Para quem? Para um terrorista”, comentou a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova.

Desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, em fevereiro de 2022, as autoridades russas insultam regularmente Zelensky e classificam a Ucrânia como um “Estado terrorista”, acusações que Kyiv considera propaganda de guerra.

“Ninguém no atual Governo da Arménia pôs Zelensky no seu lugar. Então, de que lado da História estão?”, acrescentou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Questionado hoje pelos jornalistas sobre a receção a Zelensky em Erevan, o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, foi perentório em relação ao posicionamento da Arménia.

“Relativamente à questão da Ucrânia, não somos aliados da Rússia”, respondeu Pashinyan.

A porta-voz da diplomacia russa criticou também a declaração assinada pela Arménia e pela UE, afirmando que tal conduta conduzirá ao “envolvimento irreversível de Erevan na linha antirrussa de Bruxelas, com todas as consequências políticas e económicas”.

A Arménia adotou em 2025 uma lei a declarar a intenção oficial de se candidatar à UE, mas o Presidente russo, Vladimir Putin, avisou Erevan que a participação em blocos rivais era “simplesmente impossível, por definição”.

As relações entre Moscovo e Erevan arrefeceram após a Arménia questionar a fiabilidade do aliado tradicional, que não prestou auxílio durante o conflito com o Azerbaijão em 2023.

A Arménia e o Azerbaijão assinaram em agosto um acordo em Washington, sob a égide do Presidente norte-americano, Donald Trump, para pôr fim ao conflito territorial.

Além dos europeus, também os Estados Unidos se têm aproximado da região, com a visita do vice-presidente J.D. Vance a Erevan em fevereiro.

Na cimeira de terça-feira em Erevan, a UE e a Arménia assinaram uma parceria para “reforçar os laços de transporte, energia e digitais”.

As duas partes pretendem “aumentar o comércio, criar empregos, reforçar a resiliência e apoiar a estabilidade regional”.

A UE também apelou para um maior investimento de empresas europeias na Arménia.

“Queremos fazer da Arménia um destino fundamental para os investidores”, afirmou na altura a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen.

“A Arménia pode tornar-se um polo regional para novas rotas comerciais mundiais, especialmente no domínio crucial das matérias-primas críticas. E a Europa está pronta para vos apoiar”, acrescentou.

A Arménia é uma ex-república soviética localizada na região montanhosa do sul do Cáucaso, entre a Ásia e a Europa, com cerca de três milhões de habitantes.

Os arménios foram vítimas do que vários historiadores consideram como o primeiro genocídio do século XX, que terá ocorrido entre 1915 e 1923, sob o império Otomano.

Durante esse período, entre 600 mil e um milhão de arménios terão sido mortos e milhões de outros deportados, alegações que têm sido negadas até hoje pela Turquia, sucessora do império Otomano em 1923.

A questão continua a dividir os dois países.

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