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Vladimir Putin, presidente da Rússia
“Cuidado com o que desejam. A morte de Putin pode resolver um problema, mas também pode criar uma dúzia de outros”.
Os repetidos avisos sobre o 9 de Maio – apesar de misturados com apelos à mobilização – dão um novo sinal: Vladimir Putin está a olhar mais por cima do ombro.
Passa mais tempo escondido em abrigos porque tem medo de ser assassinado ou de um golpe de estado, avança o Financial Times. A segurança à sua volta apertou: mais controlada, menos conselheiros, menos saídas, comunicação limitada.
Mas a revista Newsweek avisa: “Cuidado com a morte súbita de Vladimir Putin”.
Esta análise sublinha que, neste novo modo mais escondido, Putin não está a controlar uma sucessão tranquila – e esse é um grande problema.
Porque, se o “gangster” central do sistema político russo desaparece, esse sistema torna-se mais perigoso e mais imprevisível. Um “buraco negro” delicado.
E a maior ameaça para o presidente da Rússia não são os drones que vêm da Ucrânia: é mesmo a nível interno, a possibilidade de surgir um rival oportunista e ambicioso que aproveite uma janela de oportunidade que a guerra e a economia estão a dar.
Porque os seus aliados leais são leais…até ao momento em que o poder e o controlo do Estado parecem tão próximos e alcançáveis, que essa lealdade se transforma rapidamente num ataque interno e armado. Num golpe de Estado, provavelmente.
Além disso, aumentam as tensões entre os serviços de segurança russos; em causa a segurança de altos funcionários contra assassinos.
Nomes do futuro
Há um nome que se destaca: Sergei Shoigu. A rede que está montada à volta do secretário do Conselho de Segurança da Rússia e antigo ministro da Defesa. Shoigu continua a ter influência significativa nas estruturas de segurança russas. E ainda terá “entalada” a sua saída do cargo de ministro da Defesa, já durante a guerra na Ucrânia.
Outros possíveis sucessores de Putin: Aleksey Dyumin, antigo guarda-costas e conselheiro presidencial; Sergei Kiriyenko, antigo primeiro-ministro e agora vice-chefe de gabinete da presidência, responsável pela política interna do Kremlin, pela propaganda, pela política para a Ucrânia e por controlar as eleições.
Luta feroz
Seja qual for o próximo presidente da Rússia, nenhum resolve o problema central do sistema, salienta a Newsweek: o papel indispensável de Putin como seu pilar.
Vladimir Putin é uma espécie de unificador das facções, usando o compadrio e a ameaça para as manter equilibradas e pacificadas por um consenso de que ele – e só ele – é o governante legítimo.
Se Putin morre, deve começar uma luta feroz pelo controlo do Kremlin. As disputas entre elites, entre oligarcas, magnatas, militares poderão ser bem “feias”. Uma “receita perfeita para o caos”, cujas consequências não se ficariam pelo território russo.
O sucessor com maior probabilidade de sobreviver é aquele que melhor consegue intimidar os outros.
Também pode aparecer um novo presidente mais pacífico, mais democrata, e a querer a paz na Ucrânia – mas o mais provável é que o próximo presidente apareça entre os que aderiram às ideias do actual: expansionismo imperial, antagonismo anti-ocidental, poder coercivo.
Ou seja, a continuidade do regime de Putin mas com outra cara – e provavelmente alguém ainda mais perigoso, mais feroz. E alguém inexperiente, mais imprevisível, e saído vencedor de uma acesa luta interna, que se sente capaz de mandar em tudo e à sua maneira.
A revista Newsweek finaliza a sua análise: a morte de Vladimir Putin não é a morte do sistema. “Cuidado com o que desejam. A morte de Putin pode resolver um problema, mas também pode criar uma dúzia de outros”.