Para atingir esses objetivos, o presidente da Direção «desenvolveu esquemas que assentavam em procurações e elaboração de documentos com declarações de consentimento, entre outros meios», refere a PJ em comunicado ontem divulgado. Documentos «falsificados», adianta, tendo em conta que a senhora «não tinha capacidade» para os redigir, pois inclusivamente sofria de «comprovada demência».
Com esta documentação, após a morte da senhora, «apoderou-se ilegitimamente de bens imóveis e valores financeiros que ascendem a centenas de milhares de euros», adianta a PJ. Dinheiro que, aparentemente, não foi aplicado na instituição, o que significa que reverteu a favor do património pessoal do diretor.
A burla acabou por ser descoberta, segundo apurámos, pelo facto de a filha do casal, sem herdeiros, ter legado os seus bens, que naturalmente incluíam o património que pertencera aos pais, a uma associação, também do concelho de Montemor-o-Velho. Quando esta entidade foi em busca da herança descobriu que já não existia, o que motivou o inquérito, titulado pelo Departamento de Investigação Ação Penal (DIAP) de Coimbra e a investigação da PJ.
Ontem, na Abrunheira, já era amplamente comentada a investigação da PJ à Casa do Povo e a detenção do seu presidente, que vai ser hoje presente a tribunal, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação tidas por convenientes.
De notar que não se trata de uma situação única, reconhece a PJ, que recorda uma situação ocorrida há anos, em Soure, com contornos semelhantes.