Era o primeiro teste eleitoral enfrentado pelo primeiro-ministro do Reino Unido desde as legislativas de 2024, e os resultados iniciais indicam que Keir Starmer registou grandes perdas. Mas, para já, o líder do Partido Trabalhista parece querer lutar pelo cargo, apesar de haver vozes críticas da sua continuidade na liderança.
“Os resultados desta noite confirmaram que, pelo menos por enquanto, a política eleitoral na Grã-Bretanha se tornou altamente fragmentada”, escreveu John Curtice, professor de Política na Universidade Strathclyde, na BBC.
Com apenas um terço dos resultados declarados, o cenário ainda pode sofrer mudanças. Mas já é notório que os populistas estão entre os vencedores. Dos cerca de cinco mil lugares em disputa em 136 concelhos, o partido Reform UK elegeu mais de 400 pessoas, à frente do Partido Trabalhista, que conquistou, para já, 253 lugares, e do Partido Conservador, que está com 256 assentos, de acordo com números divulgados pela BBC.
Os Liberais Democratas estão no encalço dos trabalhistas, com 252 lugares. Na prática, significa que, de momento, os trabalhistas perderam o controlo em oito circunscrições, e o Reform UK ganhou a maioria em dois. Não há uma maioria a deter o controlo em 23 das 46 circunscrições com resultados anunciados.
“Os resultados são duros, muito duros, e não há como disfarçar. Perdemos brilhantes representantes do Partido Trabalhista pelo país, pessoas que investiram nas suas comunidades, no nosso partido. E isso magoa, e deve magoar, e eu assumo a responsabilidade”, afirmou Starmer, citado pelo jornal “The Guardian”. Apesar disso, não tem intenções de se demitir. “Não vou abandonar os desafios e mergulhar o país no caos”, afirmou o primeiro-ministro.
Começam entretanto a surgir vozes críticas da continuidade de Starmer. Dave Watts, antigo membro do Parlamento britânico através do Partido Trabalhista, defendeu que Starmer devia afastar-se. “É claro que precisamos de uma mudança, e muitos deputados e eleitores trabalhistas estão a contar com o político trabalhista com maior sucesso e popularidade, Andy Burnham, para que essa mudança aconteça”, escreveu no jornal “Huffington Post”.
Maryam Eslamdoust, secretária-geral do sindicato TSSA (que, diz o “Guardian”, é um dos mais pequenos afiliados ao Partido Trabalhista), defende que o partido “precisa urgentemente de uma eleição para a liderança que permita aos seus membros escolher um candidato que dê mais resposta às necessidades das pessoas trabalhadoras”, comparando a “catástrofe” enfrentada pelos trabalhistas com o que aconteceu ao Partido Democrata americano sob a liderança de Joe Biden.
Na extrema-direita, o ambiente é de celebração. “É um grande dia”, comentou Nigel Farage, líder do Reform UK, em reação aos resultados conhecidos até ao momento. A figura que há anos agita a política britânica prenuncia “uma mudança verdadeiramente histórica da política britânica” e aponta que o seu partido conseguiu “ganhar em áreas que sempre foram do [Partido] Conservador”, mas também “é capaz de ganhar em áreas onde os trabalhistas dominaram, francamente, desde o fim da Primeira Guerra Mundial”.
Curtice refere que os ‘reformistas’ de Farage são “certamente vencedores”, apesar de observar que detêm, em média, 26% dos votos, menos de um terço. “Não é um número especialmente alto, mas é, ainda assim, suficiente para os colocar bastante à frente de todos os seus rivais”, analisa, acrescentando que o Reform UK conseguiu melhores resultados nos locais que votaram a favor do Brexit em 2016.
Os resultados das eleições para os parlamentos regionais da Escócia e País de Gales só serão conhecidos mais tarde.