Gabriel Batista, empresário português na África do Sul, morreu no final de abril, mas é agora, quase duas semanas depois, que se vai percebendo o que passou, num caso que desde o início foi notícia não só aqui, como lá fora. Em causa está a forma inusitada como tudo aconteceu, já que o português acabou por ser comido por um crocodilo – não tendo sido a primeira vítima do animal.
Mas, afinal, como tudo começou?
A imprensa internacional começou a dar conta de que imagens da remoção do corpo de um crocodilo que estava no rio Komati, na África do Sul, estavam a circular nas redes sociais.
Um dos vídeos captados mostrava o momento em que o corpo do animal, com cerca de 500 kg e quase cinco metros de comprimento é retirado com a ajuda de um militar, sendo ambos transportados com um helicóptero.
Apesar de ninguém estar à espera de tudo o que seria encontrado no interior do animal, a desconfiança de que este poderia ser, pelo menos em parte, culpado pelo desaparecimento já estava patente – é que, durante as buscas, que duraram cerca de uma semana, o animal chamou a atenção de quem já fazia buscas pelo empresário, dado como desaparecido a 27 de abril.
As buscas: Do jipe ao crocodilo de barriga inchada
O empresário, de 59 anos, foi dado como desaparecido depois de não aparecer no hotel de que era proprietário na província em Mepumalanga. Viajava de noite e terá sido ao passar uma ponte mais baixa, submersa, que enfrentou dificuldades, com a força do rio a impedi-lo de atravessar a zona. Com a forçadas águas, o homem terá acabado por ser arrastado pela corrente para uma zona onde havia mais crocodilos.
Após o desaparecimento, a zona em questão começou a ser revistada, logo no dia seguinte. O carro em que Gabriel Batista seguia foi encontrado e, durante as buscas, os investigadores aperceberam-se de que um dos répteis presentes no local apresentava dificuldades ao mover-se, tinha a barriga inchada e não reagia à presença dos humanos. Este animal estava a cerca de 60 metros de onde o carro foi encontrado.
Cientes de que isso seria sinal de que este se tinha alimentado bem há pouco tempo, começaram a suspeitar de que o réptil podia ser o responsável pelo desaparecimento do empresário.
O animal esteve sob observação e dados os indícios, as autoridades acabaram por decidir pela eutanásia e análise do interior do animal.
“Numa operação extremamente perigosa e complexa ao longo do rio Komati, o capitão Potgieter foi içado de um helicóptero da SANPARKS para um rio infestado de crocodilos, onde, com grande coragem, imobilizou um crocodilo com uma corda, em condições extremamente perigosas”, reportou a polícia sul-africana, salientando ainda que a “disposição do Capitão Potgieter para arriscar a própria vida, indo muito além do cumprimento do dever, reflete o seu compromisso inabalável”.
O animal foi depois levado para o Parque Nacional Kruger, onde se verificou que não só o animal era responsável, em parte, pelo desaparecimento deste homem, como também se descobriu mais.
Do anel ao “conjunto de seis pessoas”: A confirmação
Após o animal ser analisado e os restos mortais retirados, mais imagens, que o Notícias ao Minuto optou por não partilhar, foram partilhadas nas redes sociais. Uma delas mostra um anel que terá ajudado na identificação ‘imediata’, tendo depois a identificação da vítima sido confirmada através de análises de ADN.
Já na quinta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirmou à Lusa que os restos mortais encontrados dentro do animal eram do empresário português.
“As primeiras perícias forenses apontam para a identificação de ADN do nacional português. As circunstâncias concretas na origem da fatídica ocorrência continuam por esclarecer”, indicou o MNE, salvaguardando que o Governo português está a acompanhar o caso.
A polícia sul-africana explicou, no entanto, que já na altura das buscas, e com recurso a drones, teve “basicamente 100% de certeza que tinha comido o homem” procurado.
“Quando fizemos a autópsia ao crocodilo, encontrámos cerca de seis conjuntos [de restos] de diferentes pessoas. E os chinelos que as pessoas usavam também estavam dentro do estômago do crocodilo”, explicou Potgieter.
Dentro do animal foi também encontrado um anel com o nome “Gabriel Batista”.
A família do empresário português desaparecido esteve presente durante toda a busca, noticiou o meio sul-africano.
Este é o segundo incidente deste tipo relatado no rio Komati em quase seis meses. Em dezembro do ano passado, dois soldados foram arrastados ao tentar atravessar a mesma ponte, recordou.
De acordo com o Jornal da Madeira, o empresário é natural da freguesia de Serra de Água, Madeira, mas residia na África do Sul desde 1975, depois de os pais deixarem Moçambique.

Os restos mortais encontrados dentro de um crocodilo no rio Komati, na África do Sul, a 02 de maio, são do empresário português Gabriel Batista, confirmou hoje à Lusa fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Lusa | 18:26 – 07/05/2026