Joanna Manhago/Grupo RBSEm abril, lotação chegou a 171% de ocupação.Joanna Manhago/Grupo RBS

A emergência da Santa Casa de Rio Grande opera com 157,14% da capacidade instalada, em um cenário de superlotação que persiste há pelo menos dois meses. O pico mais crítico foi registrado em 20 de abril, quando o índice chegou a 171,41%.

Na quinta-feira (7), havia 30 pacientes na emergência, aguardando leito ou em consulta. O setor conta com 21 pontos de cuidado — estruturas equivalentes a leitos provisórios utilizadas enquanto pacientes aguardam encaminhamento para quartos ou UTIs — e todos estão ocupados. A alta demanda tem provocado sobrecarga no atendimento e dificuldade para absorver novos pacientes.

Segundo a instituição, os principais casos atendidos atualmente envolvem demandas cardiológicas, acidente vascular cerebral (AVC), saúde mental e traumas. Paralelamente, o hospital monitora um avanço expressivo das internações por doenças respiratórias.

De acordo com a enfermeira do Núcleo Epidemiológico da Santa Casa, Natália Timm Aires, a unidade ainda não possui pacientes respiratórios aguardando leito, mas os números já acendem alerta.

— Comparando janeiro a abril de 2025 com o mesmo período de 2026, tivemos aumento superior a 40% nas internações por síndrome respiratória aguda grave — afirma.

Os casos de influenza também avançaram. Conforme a profissional, durante todo o ano passado a Santa Casa registrou cinco internações pela doença. Em 2026, apenas em abril, já foram contabilizados sete pacientes internados.

— Cinco casos precisaram de enfermaria e dois necessitaram de UTI — detalha.

Segundo Natália, o cenário acompanha a tendência observada em todo o Rio Grande do Sul, onde há expectativa de crescimento expressivo nos casos de gripe.

— A projeção indica aumento de 533% nos casos de influenza, e isso já começa a se refletir em Rio Grande — explica.

Diante do avanço das doenças respiratórias, a Santa Casa iniciou medidas preventivas e de preparação interna. O Núcleo Epidemiológico e a direção do hospital realizaram reuniões para organizar fluxos de atendimento, estrutura de internação e protocolos específicos.

— Estamos preparando a porta de entrada, os locais de atendimento e os leitos para conseguir absorver a demanda de pacientes com vírus respiratórios — afirma.

O hospital também reforçou o monitoramento epidemiológico. Todos os pacientes com síndrome respiratória são notificados, investigados e têm amostras encaminhadas ao Laboratório Central do Estado (Lacen), em articulação com as vigilâncias municipal e estadual.

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