Um cidadão norte-americano terá oferecido 200 mil dólares (cerca de 170 mil euros) em troca de assinaturas numa petição que pedia a anexação da Gronelândia pelos Estados Unidos. O caso foi denunciado pelo primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen, que descreveu a prática como “indecente”.
“A Gronelândia não está à venda. Isto não deveria precisar de ser dito. Mas, aparentemente, é necessário”, afirmou Jens-Frederik Nielsen numa publicação na rede social Facebook, acrescentando que “uma pessoa estrangeira está a oferecer dinheiro em troca de assinaturas para integrar a Gronelândia noutro país”.
“Isto não é apenas profundamente preocupante. É indecente. Não é assim que se trata um povo. Nem é assim que se fala de um país”, acrescentou, na quinta-feira.
O primeiro-ministro defendeu que a Groenlândia tem uma “sociedade democrática” e que o seu futuro não pode ser “negociado” e “comprado com dinheiro”.
“Condeno firmemente este tipo de comportamento. E espero que, a nível internacional, seja demonstrado o respeito a que qualquer país tem direito. As decisões sobre o nosso país são tomadas por nós. Isso deveria ser evidente”, frisou.
Segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), o cidadão, norte-americano, terá oferecido 200 mil dólares (cerca de 170 mil euros) aos signatários.
Danny Brandt, um taxista em Nuuk, revelou nas redes sociais que tinha sido questionado por um passageiro em troca de assinar uma petição. Quando perguntou sobre o que era a petição, o homem terá respondido que estava na Gronelândia para recolher assinaturas de apoio à anexação da Gronelândia aos Estados Unidos.
O taxista recusou a oferta e contactou a polícia, que já confirmou que está a investigar o caso.
No entanto, o homem terá abordado mais pessoas na capital da Gronelândia. Outro cidadão relatou que foi abordado por um homem norte-americano no centro de Nuuk, que lhe pediu informações sobre como chegar a um hotel.
Depois de receber as indicações, o homem terá mostrado alguns papéis e perguntado se o cidadão da Groenlândia estaria disposto a assinar uma petição, garantindo que o dinheiro seria pago em janeiro.
A polícia da Gronelândia disse à AFP ter recebido “queixas que não podem ser descartadas como relacionadas com a atual situação política”, mas não especificou o número de denúncias recebidas, nem o seu conteúdo.
Sublinhe-se que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido o objetivo de anexar a Gronelândia, descrevendo a ilha como estratégica para a segurança dos Estados Unidos.
A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.
Os Estados Unidos já possuem ali uma base militar e operaram no local cerca de outras 10 durante a Guerra Fria.

Território autónomo da Dinamarca, a Gronelândia é a maior ilha do mundo, com uma importância geoestratégica e riquezas naturais sob o gelo que cobre 81% da sua superfície a atrair o interesse dos Estados Unidos.
Lusa | 14:25 – 14/01/2026