A partir desse momento, não há alternativa, explica o mesmo militar com mais de duas décadas de experiência em saltos: é preciso abrir o paraquedas de reserva. O manual usado na formação de paraquedistas, onde se indicam os procedimentos a seguir em caso de “enrolamento”, referem que, quando um paraquedista se depara com “incidentes múltiplos”, só há um procedimento a seguir. “Abrir o paraquedas de reserva.”

Mas isso não aconteceu no incidente de Tancos. Durante quase 25 segundos, os paraquedas dos dois militares estão enrolados um no outro, o sargento e o furriel descem em velocidade acelerada em direção ao solo, parecem ainda trocar algumas palavras, mas nenhum deles toma a decisão de abrir o paraquedas de segurança. Isso só acontece já muito perto do solo.

O furriel Ismael José Silva Lamela, um dos dois militares envolvidos no incidente de terça-feira, acabou por morrer esta quinta-feira. “É com profundo pesar que o Exército Português comunica o falecimento do furriel Ismael José Silva Lamela, na sequência do incidente ocorrido no dia 5 de maio, em Tancos, durante a realização de um salto de paraquedas, no âmbito do Curso de Paraquedistas. O óbito foi declarado hoje [quinta-feira], pelas 12h20“, refere a nota divulgada pelo Exército

Morreu um dos militares envolvidos no incidente de Tancos

O primeiro comunicado do Exército sobre este caso foi enviado às redações às 14h52 desta terça-feira. Falava num “incidente no âmbito do Curso de Paraquedismo, envolvendo dois militares, durante a execução de um salto de paraquedas”. Não dava ainda detalhes sobre o estado de saúde dos sargentos, mas avançava que tinha sido acionado “apoio psicológico, assegurando acompanhamento aos militares envolvidos e respetivos familiares”.

Ao Observador, fonte do Exército detalhou que, num primeiro momento, foram os próprios médicos do ramo, que estavam no local, a prestar assistência aos dois militares. Logo a seguir, foi acionado o INEM — um indicador de que os ferimentos poderiam ser graves.

Um dos militares acabaria mesmo por ser transportado de helicóptero e, por decisão clínica, levado para o Hospital de São José, em Lisboa.

Na quarta-feira à tarde, fonte oficial do Exército continuava a manter reserva sobre o estado de saúde exato dos dois militares. Ao Observador, era apenas dada a indicação de que os dois se encontravam “estáveis” e em observação. O primeiro comunicado referia ainda a abertura de um “processo de averiguações com vista ao apuramento das circunstâncias do incidente”.

Entretanto, logo após o furriel ter sido transferido para Lisboa, o Exército montou uma operação de logística para que os familiares mais próximos do militar pudessem acompanhar de perto a evolução clínica de Ismael José Silva Lamela. Foram colocados em instalações do Exército em Lisboa e estiveram em permanência junto ao militar, no Hospital de S. José.

O militar acabou por morrer já esta quinta-feira, em resultado dos ferimentos sofridos no momento do embate com o solo. O outro militar também envolvido no incidente está internado no Hospital de Leiria e continua a ser acompanhado. Terá sofrido fraturas nas pernas e na bacia, já foi submetido a intervenções cirúrgicas e, segundo o Exército, mantém-se “estável”.

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Miguel Feraso Cabral