O grupo 100 Maneiras, encabeçado por Ljubomir Stanisic, foi vendido ao grupo internacional Dhurba Subedi, que tem mais de 100 restaurantes em vários pontos do mundo, incluindo o Las Ficheras e a UMA Marisqueira, em Lisboa.
“Hoje anuncia-se o fim de um ciclo, mas também um início. O meio ficou para trás, nas histórias que se contaram ao longo destes 17 anos em Lisboa, guardadas dentro do coração de muitos. Porque somos muitos, nós. O 100 Maneiras nunca foi apenas um, dois ou três restaurantes. Nunca se contou pelos dedos nem se refugiou na matemática”, lê-se no comunicado de imprensa em que o grupo divulgou a mudança.
O grupo de restaurantes liderados por Ljubomir inclui o 100 Maneiras, que ostentou uma estrela Michelin entre 2021 e 2023 — o chef abriu um restaurante já com esse nome em 2004 em Cascais; cinco anos depois, mudava-se para a Rua do Teixeira, no Bairro Alto. Além deste, mudam de mãos também o Bistro, que abriu portas em 2017; e o Carnal, que se estreou em 2021, tendo sofrido recentemente um incêndio que levou ao encerramento — na altura, anunciado como temporário.
Ljubomir Stanisic, Nuno Faria e Nelson Santos, os três sócios do grupo 100 Maneiras cessaram funções na gerência e gestão dos três restaurantes no início do ano. A transferência, escrevem, foi acompanhada de perto pelos três “para garantir uma transição suave e a integração da equipa”. No comunicado, não fica claro se haverá alteração nos restaurantes, quer em termos de nome ou conceito, nem são apontados projectos futuros do chef.
Na despedida, o grupo quis ainda agradecer à equipa, “essa turba de gente díspar, meio torta, muitas vezes disfuncional, que passou por aqui nestas duas décadas. Foram muitos, até há quem apelide o 100 de grande escola de restauração em Portugal. Orgulhamo-nos disso, orgulhamo-nos dos nossos, de os ver correr soltos, sozinhos. Aplaudimo-los de pé: Vítor Adão, à Cláudia Abreu Silva, ao Fábio Costa, à Inês Azevedo, à Juliana Penteado e tantos mais”.
Em forma de uma “carta de amor”, incluída no comunicado oficial, aborda-se a história dos espaços e do cozinheiro, os seus projectos e ideias. E aponta-se a um futuro com “ligação directa à terra”. Ao jeito de Ljubomir, “noutras latitudes”, será “sem medos, sem merdas”. Porque, sublinha-se, “para trás só mija a burra”.
Ljubomir às portas do 100 maneiras
nuno ferreira santos