Uma vala comum com ossadas de mais de 500 pessoas foi descoberta no cemitério da Mulemba, mais conhecido como o cemitério do 14, no distrito urbano de Hoji Ya Henda, em Luanda. O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos angolano, Marcy Lopes, coordenador da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP).

“Os restos mortais serão encaminhados para exames laboratoriais, com vista à confirmação das identidades e ao apoio às famílias no processo de reconhecimento dos seus entes queridos”, disse o ministro ao microfone da Televisão Pública de Angola (TPA), citado pelo Novo Jornal. O achado veio na sequência de cinco anos de investigação, explicou o ministro.

A Unidade Central de Criminalística, em Luanda, e as suas delegações provinciais, vão divulgar uma lista para permitir aos familiares de desaparecidos dos conflitos políticos em Angola, especialmente do 27 de Maio de 1977 – quando depois de uma tentativa de golpe de Estado alegadamente liderada pelo então ministro da Administração Interna, Nito Alves, se desatou uma purga que terá levado à morte de milhares de pessoas. O número exacto não é conhecido, pode ir de duas mil a 40 mil.

Segundo o Novo Jornal, citando informações da comissão, será divulgada agora uma lista na Unidade Central de Criminalística, em Luanda, bem como nas restantes províncias do país, para permitir efectuar recolhas de amostras de ADN aos familiares para testes de compatibilidade. Até este momento, há cerca de 500 famílias com reclamações activas na CIVICOP à espera que sejam localizados os restos mortais dos seus familiares.

A CIVICOP foi criada pelo Presidente João Lourenço em 2019 para localizar campas e valas comuns de vítimas dos conflitos políticos em Angola entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002 (data de assinatura do acordo de paz entre MPLA e UNITA), sobretudo do 27 de Maio.

Se o laboratório confirmar que se trata mesmo de ossadas de cerca de meia centena de pessoas, esta será a principal descoberta da comissão. Desde que foi criada, já foram exumados os restos mortais de 316 mortos em oito províncias. A CIVICOP também já comprovou a morte de 3248 pessoas nos conflitos, tendo emitido as respectivas certidões de óbito.