Um homem de 27 anos foi detido em flagrante enquanto roubava eletricidade da rede nacional para alimentar uma operação clandestina de mineração de Bitcoin. Os prejuízos somam cerca de 300 mil euros em três concelhos da região Oeste.

Mineração de criptomoedas

A Guarda Nacional Republicana (GNR) desmantelou uma operação industrial clandestina de mineração de criptomoedas no concelho do Bombarral, distrito de Leiria.

O caso foi resolvido esta quarta-feira pelo Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Caldas da Rainha, com a detenção em flagrante de um homem de 27 anos que se encontrava a furtar energia elétrica da rede nacional para alimentar a infraestrutura ilegal, instalada num armazém na localidade de Vale Covo.

A investigação permitiu identificar uma ligação ilegal à rede elétrica de elevada intensidade, o que levou à realização de uma busca ao armazém em questão. Foi encontrada e desmantelada toda a infraestrutura de mineração.

Mineração de criptomoedas

Mineração de criptomoedas tem sede de eletricidade

A mineração de criptomoedas é o processo através do qual computadores especializados resolvem cálculos matemáticos extremamente complexos para validar transações na blockchain e gerar novas unidades de moeda digital, como é o caso da Bitcoin.

O grande problema deste processo é o facto de ser extremamente exigente em termos de consumo elétrico, o que torna os custos operacionais muito elevados.

Aliás, é precisamente esta exigência energética que leva alguns operadores a recorrerem a métodos ilegais, ligando-se diretamente à rede elétrica sem qualquer tipo de contrato ou medição, passando os custos de energia para a rede, e, em última instância, para os restantes consumidores.

Mineração de criptomoedas

Mineração de criptomoedas era feita através de ligações ilegais à rede elétrica nacional. Crédito: GNR, via Expresso

Prejuízos e consequência legais

A operação desta quarta-feira não foi um caso isolado. Durante as diligências, foram ainda realizadas quatro reconstituições de facto ligadas a investigações paralelas da mesma natureza.

Estas diligências permitiram confirmar que, em novembro de 2025, tinham já sido desmanteladas operações semelhantes nos concelhos de Bombarral, Óbidos e Lourinhã.

O prejuízo total estimado pelo furto de energia elétrica nestas três localidades da região Oeste ronda os 300 mil euros.

A operação contou ainda com o apoio técnico da E-Redes, a empresa responsável pela gestão da rede de distribuição de energia, fundamental para identificar e caracterizar as ligações ilegais.

O homem detido foi constituído arguido e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Caldas da Rainha e ao Tribunal Judicial da Lourinhã.

Em Portugal, o furto de energia elétrica constitui crime, podendo acarretar penas de prisão e coimas avultadas, especialmente quando realizado em escala industrial como neste caso.