Os burros anões da Graciosa, que cativam a atenção dos visitantes desta ilha açoriana, ainda continuam a ser utilizados em tarefas agrícolas e como meio de transporte, disse uma criadora esta sexta-feira.
“Ainda há pessoas que trabalham a terra com o burro. Já é um número reduzido, mas ainda há pessoas que utilizam o burro para trabalhar a terra”, afirmou à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional do Burro, que se assinala esta sexta-feira, a criadora Sandra Santos.
Segundo a criadora, que tem uma exploração com burros da Graciosa, a utilização destes animais na agricultura já não é feita “daquela forma intensiva que era antigamente, mas é comum ver burros a sachar alhos e a fazer coisas no campo”.
“Não são todas as pessoas que utilizam, mas ainda há pessoas que utilizam [os animais na agricultura]”, assegurou.
Ainda de acordo com Sandra Santos, na ilha Graciosa, no grupo Central dos Açores, este animal também ainda é utilizado no dia-a-dia como meio de transporte, nomeadamente por um casal que tem uma carroça, que é o seu “único meio de transporte”.
Depois, existem criadores que “têm os animais para permitir que esta raça não desapareça e utilizam muito alguns [burros] para turismo [e] outros para outras situações”, acrescentou.
Sandra Santos inclui-se no grupo de residentes que cria burros, há já 17 anos, para manter a raça.
Na sua exploração, na Esperança Velha, possui 19 animais (dois machos criadores, 14 fêmeas e três exemplares castrados), que mostra aos turistas de forma gratuita e mediante contacto prévio.
No geral, quem contacta com os animais, como são “muito tranquilos e muito calmos”, cria empatia e há registo de crianças que, por vezes, “querem levar um burro com elas”, adiantou.
“Temos um livro de visitas onde gostamos de ficar com o testemunho e com uma recordação de uma fotografia das pessoas que vêm cá […] mas, normalmente, o testemunho que fica é positivo”, disse à Lusa.
A criação de burros na Esperança Velha, atualmente ligada a Sandra Santos, começou em finais de 2007, com a ida para a ilha do italiano Franco Ceraolo, que decidiu criar burros na Graciosa, conhecida como “a ilha dos burros”, após verificar que existiam muitas vacas e que estes animais estavam a desaparecer.
Foi no seguimento do trabalho do italiano que a Associação de Criadores e Amigos do Burro Anão da Ilha Graciosa, criada a 19 de março de 2013, com o apoio da Universidade dos Açores, conseguiu o reconhecimento da raça, em 29 de junho de 2015, disse a criadora.
Ainda segundo Sandra Santos, o burro anão da Graciosa não desapareceu justamente devido ao trabalho que Franco Ceraolo teve na ilha.
“O reconhecimento foi, sem dúvida, devido ao Franco Ceraolo e à Universidade dos Açores. Porque o Franco, na altura, andou a correr a ilha toda à procura dos criadores dos burros que existiam, para ter todo o levantamento de quem eram os donos, onde é que residiam e os animais que existiam, porque depois, em 2013 – 2014, foi feito um estudo sobre todos esses animais e foi aí que entrou a Universidade dos Açores”, afirmou.
Segundo a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), o burro anão da Graciosa, “cuja denominação se deve à sua pouca estatura, uma vez que mede pouco mais de um metro de altura ao garrote”, caracteriza-se “pelas riscas mais escuras nas costas, que sobressaem no seu pelo habitualmente cinzento”.
“Muito mansos e de andar pausado, os burros da Graciosa são ideais para acompanhar os viajantes nos seus percursos pelos trilhos desta e de outras ilhas do arquipélago, onde existem também alguns animais desta raça tão peculiar”, indicou a AEPGA.