Foram confirmados, até ao momento, seis casos de infecção por hantavírus, de um total de oito casos suspeitos reportados após a detecção do vírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que deverá chegar a Tenerife, nas Ilhas Canárias, entre a noite deste sábado e madrugada deste domingo.
Segundo avança a Organização Mundial de Saúde (OMS) num comunicado, “até 8 de Maio foram notificados oito casos, incluindo três mortes, o que corresponde a uma taxa de letalidade de 38%. “Seis casos foram confirmados em laboratório como infecções por hantavírus, todos identificados como causados pelo vírus andino”, conhecido por ser transmissível entre humanos.
Segundo fontes do Ministério do Interior espanhol, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, vai viajar no sábado para as Canárias para coordenar a retirada dos passageiros do navio de cruzeiro onde foi detectado o hantavírus.
Ghebreyesus acompanhará os ministros da Saúde e do Interior de Espanha até um posto de comando localizado em Tenerife “para garantir a coordenação entre as agências governamentais, o controlo sanitário e a implementação dos protocolos de monitorização e intervenção planeados”, especificaram as fontes à agência France-Presse (AFP).
Na tarde desta sexta-feira, as autoridades espanholas revelaram vários detalhes sobre como será o processo de evacuação do navio e o resto da sua viagem até aos Países Baixos. O navio cruzeiro deverá chegar ao porto de Granadilla, em Tenerife, na noite de sábado para domingo. O paquete está com “boa marcha” e poderá chegar antes do previsto, disse a secretária-geral da protecção civil espanhola, Virginia Barcones, numa conferência de imprensa em Madrid. Nesta altura, não há passageiros com sintomas a bordo.
Não se espera que o navio atraque no porto, mas sim que fique ancorado nas proximidades. Os passageiros a bordo serão transportados para terra em pequenas embarcações, como lanchas. O Governo central de Espanha afirmou que este foi um pedido das autoridades locais da ilha, embora tenha sublinhado que não havia indicação de que a atracação representasse um risco para a saúde pública, informação semelhante à transmitida pela OMS ainda nesta sexta-feira: “Este é um vírus perigoso, mas apenas para a pessoa infectada. O risco para a população em geral continua a ser extremamente baixo”, garantiu o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, aos jornalistas em Genebra.
Assim que chegarem ao porto de Granadilla, os passageiros serão transferidos para o principal aeroporto da ilha, que fica a cerca de dez minutos de distância. A travessia entre o porto e o aeroporto será feita em vários autocarros e tanto os motoristas como as equipas de apoio estarão com equipamentos de protecção. Os autocarros seguirão directamente para a pista do aeroporto, deixando os passageiros à porta dos seus respectivos aviões.
Os cidadãos espanhóis serão transferidos de avião para um hospital militar em Madrid.
Vários países, como Estados Unidos, Reino Unido, França ou Alemanha, informaram já que enviarão aviões a Tenerife para repatriar os respectivos cidadãos que estão no cruzeiro. Dentro do mecanismo europeu de protecção civil foram também já disponibilizados meios aéreos de vários países para o transporte para os locais de residência de passageiros e tripulantes. Os Países Baixos assumiram a responsabilidade de repatriar todos os casos que não tiverem resposta, com aviões nacionais ou do mecanismo europeu.
Deverão manter-se no paquete pelo menos 30 tripulantes, que prosseguirão de imediato viagem para levar o MV Hondius até aos Países Baixos, disse a directora da protecção civil espanhola. Embora as autoridades de saúde estejam a planear que todos os passageiros sejam rapidamente retirados de Tenerife por via aérea, o governo local disse estar a preparar uma unidade especial de isolamento num hospital local como medida de contingência.
Os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infectar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano. Apenas algumas das espécies estão associadas à infecção humana, podendo causar doença grave.
Não existe vacina nem tratamento específico para este vírus, cuja estirpe dos Andes, detectada em passageiros do cruzeiro, é a única em que se conhecem casos de transmissão entre humanos. O cruzeiro onde foram registados os casos e, até agora, três mortes, zarpou de Ushuaia, na Patagónia, a 1 de Abril, para uma viagem através do oceano Atlântico, e as autoridades de saúde querem determinar se o contágio aconteceu em terra (na Argentina, no Chile ou no Uruguai), através de roedores, ou já a bordo do navio.