Idosa desenvolve hiperpigmentação rara após tratamento com minociclina
Uma idosa de 68 anos, residente nos EUA, apresentou manchas azuladas e escuras na pele após iniciar um tratamento com minociclina, um antibiótico frequentemente prescrito para casos de rosácea e acne grave. O caso, publicado no The New England Journal of Medicine, aborda uma forma pouco comum de hiperpigmentação induzida por minociclina, com a pesquisa indicando que até 28% dos pacientes tratados com este medicamento podem enfrentar algum tipo de descoloração da pele.
A paciência havia começado a usar 100 miligramas do medicamento diariamente. Após apenas duas semanas de uso, ela notou o surgimento de manchas escuras em seus membros. As marcas, que variavam em tonalidade do azul-acinzentado ao preto intenso, começaram nas pernas e se espalharam para os braços e laterais da língua.
Os médicos, ao realizar o diagnóstico, classificaram a condição como uma hiperpigmentação tipo II induzida por minociclina. Essa descoloração azul-acinzentada é comum nas superfícies extensoras dos braços e pernas, conforme descrito no relato médico. Além da forma II, o antibiótico pode causar outras duas variantes de hiperpigmentação: o tipo I, associado a cicatrizes e inflamações, resulta em manchas azul-escuras, enquanto o tipo III se relaciona com áreas marrom-escuras em regiões mais expostas ao sol.
Foi recomendado à paciente que interrompesse imediatamente o uso da minociclina e evitasse a exposição ao sol, uma vez que a radiação ultravioleta poderia agravar a situação. Após seis semanas da suspensão do medicamento, algumas manchas haviam clareado, mas ainda eram visíveis.
Um estudo da Universidade de Oxford, mencionado no relatório médico, indicou que até 28% dos indivíduos com rosácea tratados com minociclina podem sofrer algum grau de descoloração na pele, embora a pesquisa tenha se baseado em um número limitado de pacientes. O caso foi notável pela velocidade com que a reação adversa se manifestou. Embora a hiperpigmentação do tipo I possa aparecer rapidamente, os tipos II e III geralmente se desenvolvem após vários meses de uso. “Normalmente, desenvolve-se após meses de tratamento, mas raramente pode ocorrer com tratamentos mais curtos”, afirmaram os pesquisadores à Live Science.
Embora a causa exata desta reação ainda não seja completamente compreendida, especialistas acreditam que a questão está ligada à forma como o organismo metaboliza o antibiótico, o que pode aumentar a atividade das células produtoras de melanina, que são responsáveis pela coloração da pele. Em alguns casos, a descoloração pode demorar anos para desaparecer, mesmo após a interrupção do uso do medicamento, e em situações mais raras, pode se tornar permanente.