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Florent Montaclair
Um professor universitário terá inventado a Sociedade Internacional de Filogia e atribuído uma medalha fictícia a si mesmo numa cerimónia no parlamento francês.
Um professor universitário francês está a ser investigado por alegadamente ter orquestrado uma elaborada farsa académica e que criou um prémio internacional falso, instituições fictícias e uma medalha auto-atribuída, entregue durante uma cerimónia de grande impacto na Assembleia Nacional de França.
Florent Montaclair, professor de literatura na Universidade Marie e Louis Pasteur, terá criado a “Sociedade Internacional de Filologia” e auto-concedido uma prestigiada Medalha de Ouro de Filologia em 2016. A cerimónia, que contou com a presença de políticos, académicos e cientistas de renome, entregou a honra como equivalente a um Prémio Nobel na área da filologia.
Os procuradores franceses alegam agora que a distinção foi totalmente fictícia. Segundo os investigadores, a Sociedade Internacional de Filologia não existia para além de sites alegadamente criados e geridos pelo próprio Montaclair. A suposta universidade americana ligada ao prémio — a “Universidade de Filologia e Educação” — também se revelou falsa, existindo apenas online, com a sua morada registada numa joalharia em Delaware.
Os procuradores alegam que Montaclair comprou a medalha a um joalheiro parisiense por 250 euros antes de a apresentar a si próprio na cerimónia pública. Está a ser investigado por suspeita de falsificação, uso de documentos falsificados, usurpação de identidade e fraude, embora nenhuma acusação tenha sido formalizada até à data. Montaclair nega qualquer irregularidade.
Paul-Édouard Lallois, o procurador que lidera a investigação no leste de França, descreveu o caso como “uma farsa gigantesca” e disse que os detetives passaram meses a tentar desvendar aquilo a que chamou “uma teia de mentiras”.
O caso terá ajudado a elevar o perfil académico de Montaclair. Antes de 2015, era praticamente desconhecido fora dos círculos académicos e passava o seu tempo livre a escrever romances de fantasia, muitos deles centrados em vampiros. Após a cerimónia de entrega de prémios, no entanto, ganhou maior reconhecimento e até fez uma palestra no TEDx, refere o The Guardian.
O esquema começou a desmoronar-se em 2018, depois de jornalistas romenos terem investigado outro vencedor da medalha, o académico romeno Eugen Simion. As reportagens revelaram que tanto a entidade que conferia o prémio como a universidade associada existiam apenas em sites alojados em francês.
Os investigadores estão agora a apurar se Montaclair usou a distinção fabricada e um questionável “doutoramento estatal” da falsa universidade para garantir uma promoção e um aumento salarial na sua universidade. Embora o diploma não fosse oficialmente reconhecido em França, Montaclair foi posteriormente promovido a professor associado.
Durante uma busca policial à sua casa, no início deste ano, Montaclair terá admitido ter criado certos sites e encomendado a medalha, mas alegou que inventar um prémio não era ilegal.
O seu advogado, Jean-Baptiste Euvrard, defendeu o seu cliente, argumentando que “todos têm o direito de ser criativos” e insistindo que a criação de um prémio internacional fictício não constituía crime.
Se os procuradores decidirem apresentar queixa e Montaclair for condenado, poderá enfrentar até cinco anos de prisão.