Sébastien Ogier (Toyota), sete vezes vencedor do Rali de Portugal, apoderou-se esta sexta-feira da liderança da 59.ª edição da prova portuguesa, sexta a contar para o Mundial de ralis (WRC), levando “à boleia” o belga Thierry Neuville (Hyundai), potencial obstáculo (a 3,7 segundos) a uma possível oitava vitória do francês.

O nove vezes campeão do Mundo venceu as três primeiras classificativas da tarde (Arganil2, Góis e Lousã2), beneficiando ainda de uma saída de pista de Adrien Fourmaux (Hyundai) na oitava classificativa, quinta do dia, em Góis, para se instalar no topo da cadeia hierárquica.

Um ano depois de ter partido a suspensão em Arganil, o francês da Hyundai – que liderava a prova – cumpriu sem problemas as duas passagens pelo troço “negro”, para destruir logo a seguir os dois pneus do lado direito, exactamente no mesmo sítio onde Oliver Solberg (Toyota) tinha perdido o controlo do Toyota imediatamente antes.

Apesar de mais espectacular, o despiste do sueco não teve as consequências da falha de travões do Hyundai do francês, que lhe custou quase meio minuto, relegando-o para a sexta posição.

Tudo, num dia em que a chuva trocou as voltas aos pilotos, cumprindo uma espécie de greve de zelo, dando apenas um ar da sua graça no final da manhã. Neuville não escondeu a frustração da aposta nos macios, o que não impediu o belga campeão do Mundo em 2024 de vencer duas especiais (Lousã1 e Mortágua2). Com isso, garantiu a subida ao segundo lugar da geral, a 3,7 segundos de Sébastien ​Ogier.

Imune a quaisquer percalços, como a entrada em cena de um reboque mistério na especial de Arganil, quando Elfyn Evans (Toyota) estava a concluir o troço – ou a igualmente estranha aparição de um “polícia” no caminho de Solberg -, Ogier usou toda a experiência acumulada em Portugal para gerir de manhã e atacar de tarde.

Evans teve o tempo revisto na sequência do protesto apresentado pela Toyota, alegando que o pó levantado pelo reboque atrasou o galês. Após revisão das imagens, o colégio de comissários estimou uma perda de 4,6 segundos. Evans manteve, contudo, a 5.ª posição, embora a 28,1 segundos do líder.


Registe-se que a organização interrompeu a corrida “por questões de segurança”, quando apenas os 12 primeiros tinham terminado a classificativa, tendo os restantes pilotos terminado em modo de ligação.

Dança de líderes

O dia começou com uma troca na liderança logo na classificativa de Mortágua (SS4), fruto da quebra de ritmo de Oliver Solberg. O finlandês Sami Pajari (Toyota) foi o mais rápido, batendo Adrien Fourmaux por 1,2s e Sébastien Ogier por 1,4s. Fourmaux assumia a liderança, com Ogier a quatro segundos e Elfyn Evans a 4,8s.

A abrir os troços de Arganil (em sentido inverso ao habitual) e Lousã (trajecto totalmente novo), Evans foi caindo na tabela, esforçando-se para não comprometer as aspirações.

Paulatinamente, Ogier e Neuville aproximavam-se do líder, com os três pilotos que perseguiam Fourmaux separados por meio segundo na primeira passagem da Lousã.

Depois, com o azar de Fourmaux, Ogier recebia o testemunho do compatriota, que por sua vez tinha “herdado” de Solberg. As classificativas da tarde, sempre com a estrada seca, foram dominadas por Ogier, que fechou o dia a repetir o terceiro melhor tempo em Mortágua2, mesmo tendo sido quase três segundos mais rápido do que na primeira passagem.

Exceptuando as saídas de estrada de Solberg e Fourmaux e o impacto de Dani Sordo (Hyundai) numa rocha na berma da estrada, os pilotos do pelotão da frente regressaram finalmente a Matosinhos depois de dois dias sem assistência, a gerir danos e pneus, tentando não comprometer as aspirações antes das duas jornadas mais decisivas do Rali de Portugal.

Rúben Rodrigues impõe-se no CPR

Rúben Rodrigues (Toyota) venceu a prova do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) com 9,6s de vantagem sobre Gonçalo Henriques (Hyundai), somando o segundo triunfo consecutivo CPR2026, que lidera.

Armindo Araújo (Skoda), que procura ser o melhor representante português do Rali de Portugal pela 15.ª vez enfrentou um problema eléctrico na ligação da Figueira da Foz a Mortágua1, que originou um atraso de 16 minutos e uma penalização de 2m16s, comprometendo as ambições do piloto que já venceu o Rali de Portugal por três vezes. Armindo Araújo caiu para 12.º, a 2m51,3s de Rúben Rodrigues.

Pedro Almeida (Toyota) assumia o terceiro posto, com Gonçalo Henriques a debater-se com problemas na suspensão, o que não impediu o antigo vencedor do FPAK Júnior Team de Ralis de garantir a segunda posição.

A penalização de 1 minuto aplicada a José Pedro Fontes (Lancia), por passar um controlo antes da hora, deu o quarto lugar a Pedro Meireles (Skoda), que se superiorizou a Ricardo Teodósio (Citroën). Diogo Salvi (Skoda) perderia o sexto lugar na última especial ao ser superado por Fontes e Hugo Lopes (Hyundai).