Os monarcas da Dinamarca viajaram à Suécia a bordo do iate Dannebrog, também na companhia da Rainha Margarida, que se juntou ao grupo à noite no jantar, assim como a família real norueguesa: Harald V e Sonja, na companhia do filho, Haakon, que viajou sem a mulher, Mette-Marit, que enfrenta um período complicado com a sua situação de saúde a declinar e o filho prestes a receber o veredicto em quatro casos de violação, e subiu a bordo do iate Norge já em Estocolmo.
Pelas 18h30 o grupo seguiu para o jantar no Salão de Estado do Palácio Real de Estocolmo. A Rainha Mary da Dinamarca apostou num dos looks mais ousados da noite, um vestido floral de dois criadores dinamarqueses que costuma vestir com frequência, Soeren Le Schmidt e Birgit Hallstein, depois de durante a tarde ter usado uma peça Dior. Na cabeça, trazia uma joia de família: um bracelete convertido em tiara que pertenceu à Rainha Luisa da Suécia. Já a Rainha Mathilde, da Bélgica, levou um vestido longo com aplicações de renda em laranja da Armani Privé, enquanto a Grã-Duquesa do Luxemburgo, Stephanie, apostou num vestido com capa azul claro da Natan Couture, que combinou com uma tiara de águas-marinhas.
As tiaras, aliás, foram protagonistas nesta noite, com especial destaque para a peça usada pela Rainha Silvia. A combinar com o vestido de seda vermelho, a mulher de Carl Gustaf levou a tiara Bragança, também conhecida por tiara Brasileira, a mesma que usou na fotografia oficial divulgada no início do ano. “Foi um presente de D. Pedro IV — I do Brasil — para a Imperatriz Amélia de Leuchtenberg, quando ela se casou com ele e foi ser a segunda Imperatriz do Brasil, em 1829”, explica ao Observador Cláudia Thomé Witte, biógrafa de Amélia. “Quando D. Pedro abdica do trono no Brasil e vem para a Europa, os dois trazem essa peça com eles e ela é colocada num banco em Londres, como garantia para o empréstimo que é necessário fazer para poder armar a frota de navios com a qual D. Pedro vai partir dos Açores e chegar em Portugal, em 1832, já no contexto das guerras liberais. Depois do final das guerras, em 1834, com a vitória dos liberais, as joias em Londres são resgatadas e isso volta para as mãos da Imperatriz Amélia. Ficam com ela pelo resto da vida — a filha morre muito jovem, não tem descendentes, então essa tiara continua junto com as outras, com a Imperatriz Amélia”.
Foi no final do século XIX que a tiara entrou na família real sueca, explica a investigadora, que encontrou documentos que comprovam a origem da peça tanto no Brasil como em Vila Viçosa, em Portugal. “Quando ela morre, em 1873, várias joias dela são distribuídas entre parentes: Dona Maria Pia, D. Luís, D. Pedro II do Brasil, família na Alemanha, etc. Mas, essa joia em especial e os outros brilhantes imensos que ela ganha de D. Pedro, o colar, os brincos, o alfinete, todo esse conjunto de diamantes, ela deixa para a irmã dela, a Rainha Josefina, a Rainha Mãe da Suécia“, conta Cláudia Thomé Witte, que recorda ainda a relação da realeza sueca com Portugal. “Junto com os diamantes, a Casa Real Sueca também fica responsável pelas obras de caridade que ela conduzia aqui em Portugal, principalmente o Hospital do Funchal, que é a Fundação Princesa Dona Maria Amélia, que existe até hoje com outras atividades.”
Quem também escolheu uma tiara histórica para a ocasião foi a Rainha emérita Sofia de Espanha. Prima do Rei Carl Gustaf, a mãe de Felipe VI representou a coroa espanhola com um vestido Alejandro de Miguel em crepe de seda num tom azul claro e aplicações de pedras, joias de diamantes brancos e amarelos da sua coleção pessoal e a tiara Concha Mellerio, a mesma que usou no casamento da princesa Victoria da Suécia com o príncipe Daniel em 2010. A peça, de 1867, pertenceu à Rainha Isabel II de Espanha, que a ofereceu à filha, a Infanta Isabel de Bourbon, também conhecida por La Chata, que levou a joia escondida a Paris na altura do exílio e assim a peça passou de geração em geração. Sofia recebeu a tiara como presente de casamento dos sogros, os Condes de Barcelona, em 1962. Composta por sete pérolas pendentes e doze diamantes intercalados, representa o mar e o vai e vem das ondas, com a sua espuma.