O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, chamou este sábado o antigo líder trabalhista Gordon Brown para funções de aconselhamento, numa altura em que cresce a contestação interna no Labour após o desastre eleitoral das eleições locais e regionais.
Gordon Brown terá um cargo ligado às finanças globais, numa função não remunerada e em regime de tempo parcial. Downing Street diz que ficará encarregado de desenvolver parcerias financeiras internacionais ligadas à defesa, segurança e investimento.
A decisão chega no momento politicamente mais difícil para Starmer desde que entrou em Downing Street. O Labour perdeu mais de mil representantes locais nas eleições de quinta-feira e sofreu uma derrota histórica no País de Gales, onde caiu para terceiro lugar no parlamento regional pela primeira vez desde 1999.
Ao mesmo tempo, o Reform UK, partido liderado por Nigel Farage, consolidou a subida que as sondagens vinham antecipando há meses. O partido populista e anti-imigração conquistou mais de 1400 mandatos locais e afirmou-se como uma das principais forças políticas britânicas.
Nos bastidores trabalhistas, a recuperação de figuras históricas do New Labour está a ser lida como uma tentativa de estabilizar a liderança de Starmer e travar o ambiente de pré-sucessão que começou a instalar-se no partido.
Nos últimos dias, vários deputados trabalhistas defenderam publicamente uma mudança de liderança ou um calendário para a saída do primeiro-ministro.
Além de Brown, Starmer chamou também Harriet Harman para funções de aconselhamento ligadas às políticas para mulheres
Entre 1997 e 2007, Brown foi ministro das Finanças do Reino Unido, antes de suceder a Tony Blair. Enquanto primeiro-ministro, liderou o país durante a crise financeira de 2008 e esteve no centro do resgate ao setor bancário britânico.
“O ex-primeiro-ministro dará conselhos sobre como a cooperação financeira global pode construir uma Grã-Bretanha mais forte, aumentando a segurança e a resiliência do país”, refere o comunicado divulgado pelo gabinete de Starmer.
O primeiro-ministro prometeu para segunda-feira um discurso destinado a responder ao descontentamento eleitoral e a redefinir prioridades políticas.
“É muito importante que reflitamos e reajamos quando o eleitorado nos envia uma mensagem como esta”, afirmou, em declarações transmitidas pela BBC.