“Aceitar a solicitação da OMS [Organização Mundial da Saúde] e oferecer um porto seguro é um dever moral e legal para os nossos cidadãos, a Europa e o direito internacional”, disse Pedro Sánchez, numa publicação nas redes sociais.


“Espanha estará sempre ao lado de quem precisa de ajuda. Porque há decisões que definem o que somos como sociedade”, acrescentou.


 


 


Na mesma publicação, o primeiro-ministro espanhol publicou imagens do encontro que teve este sábado, em Madrid, com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que está agora a caminho das Canárias, para acompanhar a operação de retirada de passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro “MV Hondius”, que deverá chegar a um porto da ilha de Tenerife na próxima madrugada.


O Governo espanhol garante que a operação de desembarque do navio com casos de hantavírus não implica qualquer risco para a população. O navio deverá chegar a Tenerife na próxima madrugada, numa operação que conta o apoio no terreno da Organização Mundial da Saúde.



A Proteção Civil espanhola tem um plano para conter qualquer risco de contágio. O navio não vai atracar, ficará apenas fundeado.

Há oito casos confirmados de hantavírus e três pessoas já perderam a vida.


Numa conferência de imprensa, em Genebra, a diretora da Organização Mundial de Saúde responsável por prevenção de epidemias reafirma que o risco de contagio é baixo.

“Tudo preparado”

O Governo de Espanha assegura estar tudo preparado nas Canárias para o desembarque e repatriamento das pessoas que estão no navio, numa “operação inédita, de uma envergadura internacional sem precedentes”, nas palavras da ministra da Saúde espanhola, Mónica García.


“Neste momento, a previsão de chegada ao porto de Granadilla será durante a madrugada, mais ou menos entre as 4h00 e as 6h00 da manhã, hora das Canárias”, disse a ministra espanhola.

Segundo o plano previsto, o navio deve “permanecer ancorado na doca do porto” e ser “assistido por um rebocador”.



“Antes do desembarque, tanto os epidemiologistas que se encontram a bordo com os Serviços de Saúde Externa realizarão uma avaliação exaustiva das pessoas para confirmar que continuam assintomáticas”
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Será ainda realizado um inquérito epidemiológico e verificado o estado de saúde de todas as pessoas a bordo.


Na mesma conferência de imprensa, o ministro do Interior do governo espanhol explica como será feito o repatriamento dos passageiros para os países de origem.


“Estão confirmados os voos de repatriamento com destino a França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos”, afirmou, acrescentando que, para os países da União Europeia que não tenham meios disponíveis, “o mecanismo europeu de Proteção Civil pôs dois aviões à disposição”.

Estão também confirmados voos de repatriamento para o Reino Unido e os Estados Unidos.

“A operado do navio tem previsto o repatriamento de 17 tripulantes”, disse ainda, sublinhando que os restante continuarão no barco até ao destino final.


O presidente do Porto de Tenerife assegura que está tudo a postos para receber os passageiros do navio. O perímetro sanitário está definido.


Estão no “MV Hondius”, que esteve de quarentena em Cabo Verde, 147 pessoas, de 23 nacionalidades, incluindo passageiros, tripulação e pessoal médico da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês).


Desembarcarão nas Canárias, em Tenerife, mais de 100 pessoas, que serão repatriadas a partir de um aeroporto desta ilha, em aviões de vários países e da União Europeia (UE).


Vão manter-se no barco 43 membros da tripulação, que seguirão viagem, na segunda-feira, para levar o paquete até aos Países Baixos, país onde está registada a propriedade do “MV Hondius” e de onde é o armador.


A OMS considerou que as Canárias são o porto com todas as condições logísticas e de segurança para esta operação que estava mais próximo do local onde estava o barco quando foi declarado o alerta sanitário por casos de infeção e suspeita de infeção com hantavírus.


O desembarque e repatriamento das pessoas a bordo far-se-á em zonas reservadas e isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto Tenerife Sul, sem qualquer contacto com a população local.


Também o percurso de cerca de 10 quilómetros entre o porto e o aeroporto, em que serão usados veículos militares, estará isolado.


Tripulantes e passageiros só sairão do barco quando o avião que os vai repatriar estiver já preparado para descolar e serão levados diretamente à pista do aeroporto.


O barco não vai tocar na costa e ficará ancorado, pelo que serão usadas lanchas para retirar as pessoas, em pequenos grupos, e por nacionalidades.


A operação será coordenada por Espanha, Países Baixos, a OMS e o ECDC.


O diretor-geral da OMS dirigiu-se hoje à população de Tenerife, numa carta aberta em que afastou o cenário de “uma nova covid” e reiterou que “o risco atual para a saúde pública causado pelo hantavírus mantém-se baixo”.


A OMS confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram neste barco. Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infetados estão já a bordo.


O barco viajava desde a Argentina até Cabo Verde, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana.


O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavirus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.


C/Lusa