O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse neste sábado acreditar que a guerra na Ucrânia está a aproximar-se do fim, manifestando-se disponível para um encontro com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.
“Começaram a intensificar o confronto com a Rússia, que continua até hoje. Acho que isto está a chegar ao fim, mas a situação continua grave”, afirmou Putin, em resposta à questão de um jornalista sobre se a ajuda ocidental à Ucrânia estava a ir longe demais.
O chefe de Estado manifestou-se ainda disponível para se reunir com Volodymyr Zelensky, desde que existisse já um acordo de paz em cima da mesa. “Seria possível um encontro num país terceiro, mas apenas se se alcançar um acordo definitivo sobre um tratado de paz, que deverá ser desenhado com uma perspectiva a longo prazo”, sublinhou, citado pela agência de notícias russa TASS.
Quando questionado se estaria também disposto a negociar com os europeus, admitiu conversar com uma pessoa em particular: “Pessoalmente, prefiro o antigo chanceler alemão Gerhard Schröder.”
Vladimir Putin falava à imprensa no Kremlin, após um desfile do Dia da Vitória, que, pela primeira vez em quase duas décadas, se realizou sem a tradicional exibição de veículos militares e armamento pesado. O feriado de 9 de Maio assinala a vitória soviética sobre a Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial.
Ao longo dos últimos quatro anos, foi a Rússia a fazer da guerra na Ucrânia o conflito mais mortífero na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial, deixando centenas de milhares de vítimas.
De 24 de Fevereiro de 2022 até ao final de 2025, estima-se que tenham morrido ao serviço da Rússia cerca de 350 mil soldados, segundo números divulgados pelas plataformas russas de jornalismo independente Meduza e Mediazona. Do lado ucraniano, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (think tank norte-americano) admite que tenham sido mortos cerca de 140 mil soldados até ao final do ano passado.
Quanto a civis, de acordo com as Nações Unidas, já foram mortos mais de 15.500 ucranianos. Não é claro quantos serão os civis russos mortos durante a guerra, tanto junto à fronteira Oeste do país, como nos territórios ucranianos ocupados.
Além da perda de vidas humanas e da enorme destruição em território ucraniano, a guerra fragilizou a economia russa e fez o país regressar a um isolamento diplomático que já não sentia desde o final da Guerra Fria.
Apesar do enorme investimento feito na guerra, as forças ao comando de Vladimir Putin ainda não foram capazes de conquistar um dos seus maiores objectivos: tomar a totalidade da região do Donbass, no Leste do país.
Na semana passada, o Kremlin defendeu que estava do lado dos governos europeus dar o primeiro passo nas negociações de paz, argumentando que foram esses governos a cortar relações com Moscovo após a invasão da Ucrânia, em 2022.