Mulheres que planejam engravidar devem incluir a avaliação diagnóstica por imagem como etapa estratégica do planejamento reprodutivo. O mapeamento prévio da anatomia feminina (útero, ovários, trompas e mamas) permite detectar precocemente condições tratáveis, como miomas, pólipos ou malformações, que poderiam se tornar obstáculos durante a gravidez. Segundo a Dra. Eveline Skaf Kalaf, especialista em diagnóstico por imagem da Radiologia Clínica de Campinas (RCC), esses exames funcionam como um alicerce que oferece segurança clínica e emocional para a futura mãe.

Nesse estágio, a ultrassonografia pélvica ou transvaginal é o exame base, sendo essencial para avaliar o endométrio e realizar a contagem de folículos (pequenas bolsas que contêm os óvulos). No entanto, para aquelas que enfrentam dores ou dificuldades de concepção, a radiologia avançada torna-se indispensável.

Isso inclui a Ressonância Magnética (RM) com protocolo para endometriose e a histerossalpingografia — um exame de raio-x específico para verificar se as trompas estão desobstruídas –, permitindo que o encontro entre o óvulo e o espermatozoide ocorra sem dificuldades.

“A endometriose é uma preocupação crescente e muitas vezes silenciosa. Muitas mulheres acreditam que cólicas intensas são normais, enquanto a doença avança afetando a fertilidade. A tecnologia de imagem atual permite mapear com precisão desde endometriomas ovarianos até o comprometimento dos ligamentos uterinos, assegurando um tratamento planejado antes mesmo da gestação começar”, explica a Dra. Eveline.

 

Maternidade tardia e o monitoramento das mamas

Com a tendência de gestações após os 35 anos, a avaliação das mamas também ganha relevância no rastreamento pré-concepcional. O exame de ultrassom mamário ou a mamografia são recomendados especialmente para mulheres em idade materna avançada, com histórico familiar de câncer ou que apresentem sintomas como nódulos palpáveis, secreção mamilar e alterações na pele.

Realizar essa triagem antes de engravidar evita que alterações sejam descobertas durante a gestação, quando as mudanças hormonais dificultam o diagnóstico.

De acordo com a especialista, estar com os exames em dia, incluindo a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, se necessário, reduz a ansiedade do desconhecido.

“Do ponto de vista médico, identificamos condições anatômicas precocemente; do ponto de vista psicológico, a mulher entra na gestação com muito mais confiança, sabendo que sua saúde reprodutiva foi detalhadamente avaliada”, conclui a médica.