Steven Governo / Lusa

Álvaro Beleza

Presidente da SEDES deixa críticas à UGT e ao PS sobre o facto de não ter havido acordo sobre a lei laboral.

Não houve acordo na Concertação social à volta das alterações que o Governo quer fazer à lei do trabalho. Cerca de 60 reuniões depois, o encontro de quinta-feira foi o último – e não houve acordo.

A UGT – União Geral de Trabalhadores disse que a CIP – Confederação Empresarial de Portugal não apresentou nenhuma proposta nova. Mário Mourão criticou o Governo por minar a confiança durante as negociações com um “constante avanço e recuo” nas propostas.

A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, acusou a UGT de intransigência; disse que a central sindical liderada por Mário Mourão “não cedeu em nenhum ponto“. “Um dos parceiros revelou-se absolutamente intransigente”.

Álvaro Beleza, presidente da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), também deixa críticas diretas à UGT – e ao PS: “Acho que, infelizmente, uma parte do PS e até da UGT foram contaminadas pelo vírus neomarxista da geringonça”.

Embora também fale sobre um vírus no Governo: “Mas também acho que este Governo foi contaminado por um vírus populista do Chega, muito mau para a economia do país, que tem a ver com os imigrantes, com a imigração”.

Na rádio Renascença, Álvaro Beleza diz que só vê uma explicação para este desfecho: “Foram os anos da geringonça, acho que a geringonça contaminou algum PS e alguma UGT”.

Numa análise global, o líder da SEDES avisa que, após a falta de acordo sobre a nova lei do trabalho, “quem sai pior é o país. Isto é mau para o futuro do país, é mau para o crescimento dos salários, é mau para atrair os nossos jovens a ficarem em Portugal e não irem para outros países. Portugal é dos países com maior rigidez laboral, precisava de ter uma melhoria das leis laborais. Acho que é absolutamente necessária mais flexibilidade, a legislação laboral é muito rígida”.

Em relação à greve geral marcada para o dia 3 de junho, Álvaro Beleza mostra-se totalmente contra o momento escolhido: “Nós estamos com uma guerra no Golfo, estamos com o petróleo a aumentar, acha que estamos em altura para fazer greves gerais e para romper negociações? Isto faz lembrar o programa daquele humorista famoso, parece que é gozar com quem trabalha. Acho que é preciso juízo, bom senso e entendimentos”.

Entretanto, na rádio Observador, a ministra do Trabalho assegura dois pontos: “O Governo não se dá como derrotado, como é óbvio” e “Com certeza que há vida para além da reforma laboral”.


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