João Pedro Oliveira e Costa, líder do BPI, não fez a coisa por menos: se esta não continuar, se os jovens voltarem a ter muitas dificuldades em acumular a “entrada” exigida pelo Banco de Portugal, muitos irão emigrar.
A menos que tenham pais que os possam ajudar, Oliveira e Costa salientou que “é muito difícil para os jovens conseguirem ter o sonho de ter casa própria sem estes apoios“. “O mercado de arrendamento não existe” e, por isso, “se tornarmos a situação inviável, acontece o que já aconteceu no passado que é eles procurarem outro local para constituir vida – o que é pena, porque Portugal precisa destas pessoas, precisa de população”, afirmou o banqueiro.
Já o presidente do Millennium BCP, Miguel Maya, que renovou mandato esta semana, defendeu que “os jovens que tenham capacidade financeira, em início de carreira, não devem ficar condicionados na compra de casa por não terem 10% de entrada”. Questionado pelo Observador, em conferência de imprensa, sobre se o Governo deveria prolongar a medida por mais tempo, Miguel Maya preferiu não dar uma resposta direta – mas deixou clara a sua posição:
“É muito importante apoiar os jovens e não pedir a estes jovens, aqueles que não tenham pais que lhes possam dar o valor da entrada, para estarem três anos a pagar uma renda e ainda mais, em cima disso, acumular os tais 10%”, afirmou o presidente do Millennium BCP, na conferência de imprensa de apresentação de resultados trimestrais.
Todos estes comentários surgiram numa fase em que o Governo tem de decidir se prolonga este apoio para além do fim deste ano e, também, numa altura em que o Banco de Portugal dá a entender que poderá nas próximas semanas anunciar medidas que irão apertar a concessão de crédito à habitação. Álvaro Santos Pereira, o governador, tem defendido publicamente que a solução para o problema do acesso à habitação passa por criação de mais oferta habitacional, não escondendo o ceticismo em relação ao impacto da garantia pública – que é, no fundo, uma medida política que vem contornar uma exigência do supervisor, em vigor desde 2018.
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Miguel Feraso Cabral
Uma das opções do supervisor financeiro poderá passar por um aumento do “choque” de taxas de juro simulado no momento da concessão de crédito – que serve para calcular o impacto de eventuais subidas das Euribor nas taxas de esforço das pessoas – mas outras medidas de redução do risco estão a ser avaliadas.
Segundo a informação recolhida pelo Observador, poderá estar iminente um novo aumento da chamada “taxa de stress”, que até finais de 2023 era de três pontos percentuais mas nessa altura passou para 1,5 pontos percentuais. A taxa foi reduzida para esse nível, que é o nível atual, na fase em que os juros estavam em níveis superiores a 4% mas, entretanto, os juros caíram para a casa dos 2% e o “choque” continua a ser o mesmo, o que gera um forte incentivo a que exista mais crédito – porque é menor o valor de juros (e prestações) testado e confrontado com os rendimentos das pessoas.