Assim que a comunidade começava a se acalmar após a semana turbulenta causada pela vulnerabilidade Copy Fail, foi descoberta uma completamente nova. Denominada Dirty Frag, permite que qualquer utilizador, sem permissões, se torne root. Como se pode ver, é uma cópia fiel da Copy Fail.
Mais um buraco no Linux?
A verdade é que o Linux não está a atravessar um bom momento, pois há alguns dias foi também revelado que o Quasar Linux (QLNX), um malware criado especificamente para atacar os programadores, administradores de sistemas e especialistas do setor, com o objetivo de infiltrar as suas contas, também estava a circular.
O problema é que conseguiu infiltrar-se em repositórios de código como o npm, PyPI e GitHub, bem como em ambientes de cloud como AWS, Docker e Kubernetes.
No Dirty Frag, o pior não é apenas a existência da vulnerabilidade, mas a forma como a comunidade a descobriu. Normalmente, estes problemas são reportados aos programadores de forma rápida e discreta para que possam preparar uma correção antes que os hackers a explorem. Mas, no caso do Dirty Frag, alguém quebrou esse código de silêncio e a informação vazou para as pessoas erradas antes do tempo.
Para piorar a situação, esta falha também está presente no código do Linux desde 2017. Isto significa que quase todas as versões que está a utilizar atualmente, desde o Ubuntu mais recente ao Arch, Fedora, RHEL ou mesmo ao sistema Linux a correr dentro do Windows (WSL2), são vulneráveis. Mas o que torna isto ainda mais perigoso é que afeta os módulos relacionados com ligações de rede seguras.
Uma sensação de segurança… insegura!
Tecnicamente, a falha explora uma função que deveria poupar trabalho ao processador ao transferir dados, mas, em vez disso, permite que um atacante escreva em áreas não autorizadas da memória do sistema. O pior é que existe uma prova de conceito disponível em sites como o GitHub, que qualquer pessoa pode descarregar e compilar.
Felizmente, mesmo sem uma correção oficial, existe uma forma de resolver este problema. A vulnerabilidade reside nos módulos denominados esp4, esp6 e rxrpc.
Estes módulos são utilizados principalmente para VPNs e comunicações muito específicas. A boa notícia é que a grande maioria dos servidores e computadores dos utilizadores não precisa deles para o funcionamento diário.
Portanto, se quiser proteger-se agora, a melhor coisa a fazer é desativá-los manualmente. Para tal, basta executar um comando que bloqueie estes módulos. Entretanto, as principais equipas de segurança da Canonical, da Red Hat e o próprio Linus Torvalds estão a trabalhar para evitar problemas maiores.
Considerando que estamos a falar de Linux, milhares de programadores em todo o mundo estão a rever o sistema em simultâneo. Não importa quão grave ou complexo seja um bug, assim que é detetado, toda a comunidade se mobiliza para o corrigir. Geralmente, isto acontece em questão de horas.
Por fim, muitos perguntam-se porque é que uma falha permaneceu desconhecida durante tantos anos. Tal como no caso da outra vulnerabilidade mencionada, a IA é agora responsável por rever o código e descobrir todas estas falhas.

