Isaltino Morais foi o grande convidado do programa “Alta Definição” deste sábado. O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, de 76 anos, falou sobre a sua vida pessoal, passando pela infância, da vida política e, claro, das polémicas que envolvem o seu nome, nomeadamente a sua detenção por crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.
Infância passada em Mirandela
Isaltino Morais nasceu em 1949, em Mirandela, Trás-os-Montes. Apesar de não ter passado dificuldades económicas, revelou que os amigos e colegas não tinham essa realidade.
“Os meus pais eram considerados remediados, faziam parte de quatro ou cinco famílias que já tinham uma vida melhor. Do ponto de vista material não tive muita necessidade mas acompanhei muito a necessidade. Conheci a pobreza, havia muita pobreza”, confidenciou.
A morte do pai
O pai de Isaltino Morais morreu de cancro quando o político tinha apenas 14 anos.
“A minha mãe tomou as rédeas quando o meu pai morreu. Sempre mandou ela, ele mandava em silêncio mas estamos a falar de outro tempo. Ela era muito organizada, discutia muito, não era uma mulher fácil. […] Compreendia o sacrifício da minha mãe”, confessou.
Ainda durante a juventude, Isaltino ficou também sem a mãe, que morreu com cancro.
“Perde-se uma parte de nós, ambos partiram muito cedo. Senti mesmo a morte dos meus pais na tropa. Recebi uma medalha no pelotão e senti uma solidão extraordinária. Naquele momento senti uma solidão enorme. Toda a gente recebia cartas e eu não recebia carta nenhuma, tinha uma pontinha de inveja [dos colegas]”, confessou.
A prisão em 2023 e o impacto na família
Isaltino Morais esteve preso 14 meses devido à sua condenação por crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.
“Na prisão tem-se muitos pesadelos. Pensava muito nos meus pais, nos meus familiares, na minha mulher, nos meus filhos, pensava em tudo. Aconteça o que acontecer, não existes, não resolves nada, não contas, és um numero. Nunca compreendi aquela prisão. Temos a nossa consciência tranquila, de que não cometemos crimes, de que não cometemos nada de grave ou pelo menos não temos consciência disso”, explicou.
“[A prisão] tirou-me a liberdade. Sobretudo aprendi o valor de muitas coisas, o valor de um tomate, de uma cebola, de um alho”, revelou também.
Passar o Natal sem a família foi o mais complicado para Isaltino Morais.
“O Natal sente-se muito, talvez tenha sido dos dias mais difíceis que tive na prisão. Curiosamente os reclusos festejam o Natal. É um momento muito triste. O mais difícil foi o afastamento da família, tinha um filho com 12 anos. Era muito difícil. Ele ia-me visitar todos os sábados mas para ele era insuportável. Cada vez que entrava na prisão ele dizia que não suportava aquilo mas resistia e aguentou. As minhas conversas com ele eram de estímulo, falava com ele todos os dias as 6 da tarde por telefone. […] Marcou-o para toda a vida”, confessou.
Isaltino viveu sempre dedicado à política e confessou que não acompanhou os dois filhos mais velhos, o que já não aconteceu com o mais novo.
“Tenho 3 filhos, os dois mais velhos foram educados pela mãe. Na realidade eu acho que poda ter sido melhor pai, estava obcecado com a Câmara. Do mais novo já fui às festas do colégio, participei nos momentos mais importantes da vida dele. Os outro dois não, acho isso mau. Nunca se esqueçam da família, a família é um grande suporte”, relatou.
“O pior dia da minha vida” Isaltino recorda buscas em casa
“A prisão é uma situação difícil que eu não desejo a ninguém mas mais violento é a busca. Porque a busca é a invasão do teu castelo, da tua família, não é so violação da privacidade. É a maior violência que pode acontecer a uma família é a busca […] A família não tem culpa, isso é marcante e dá pesadelos para toda a vida. Se a campainha toca as 7 da manha, pensa-se sempre que é a polícia.
Foi o pior dia da minha vida. Esse é mesmo o pior dia da minha vida. É uma marca que fica para sempre. As pessoas nunca mais se esquecem, em casa é sobre a nossa família, sobre o nosso lar. Esse foi o momento mais difícil da minha vida”, recordou, apontado que a prisão o fez perder pessoas próximas. “Perdi amigos, muitos. Houve algumas pessoas que se afastaram por preconceito”, explicou.

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, é o próximo convidado do “Alta Definição”, da SIC, e recordou o dia em que foi alvo de buscas – e posteriormente detido por crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.
Notícias ao Minuto | 19:50 – 07/05/2026