O líder do Partido Liberal da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, recebeu do rei a incumbência de começar conversações para formar uma coligação de governo no país, depois de a actual primeira-ministra, Mette Frederiksen, ter anunciado que desistia de negociar uma solução governativa.

Frederiksen fez o anúncio na sexta-feira, depois de conversações que duravam já há semanas (e eram já as negociações mais longas da História do país) com os Moderados, de centro-direita, para um governo incluindo partidos de esquerda. O anúncio chocou a Dinamarca, escreve o New York Times, já que além de ter vencido as eleições, Frederiksen é uma figura dominante da política do país e está na chefia do Governo desde 2019.

O Partido Social-Democrata, da actual primeira-ministra, foi o mais votado nas eleições de Março, mas, com 22%, desceu para o seu pior resultado desde 1903. O Parlamento que resultou da votação é ainda muito fragmentado, sublinha o site Euractiv: 12 partidos têm representação parlamentar, com apenas três com mais de 10% dos votos.

Poulsen, cujo partido obteve 10% dos votos, deverá agora iniciar conversações com outras forças políticas que, segundo o comunicado do rei, não sejam nem o Social-Democrata nem o Moderados (que tiveram 7,7% dos votos), o que pode significar uma grande viragem à direita no país.

O anúncio de Mette Frederiksen aconteceu depois de o líder dos Moderados, e que foi até recentemente o ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, ter desistido das negociações.

Rasmussen apoia agora Poulsen, que defende uma economia de mercado livre, diminuição dos impostos, mais apoio aos agricultores e uma política de imigração mais estrita. O antigo ministro já vinha a pressionar a primeira-ministra para incluir mais partidos de centro-direita nas negociações.

“Os dinamarqueses compuseram [o Parlamento] de um modo em que é absolutamente possível formar um governo de direita”, declarou a primeira-ministra. “Pode ser que o que estamos a ver agora seja de facto o início disso”.

Esse governo poderia ter apoio do partido de direita radical populista Partido Popular Dinamarquês, que obteve 9,1% e que tradicionalmente prefere não entrar nas coligações, mas dar o seu apoio a governos minoritários. O partido disse apoiar que Poulsen tente formar governo com a condição de que este “tome medidas que levem a um êxodo de muçulmanos da Dinamarca”.

Frederiksen foi apreciada pelo modo como lidou com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a sua tentativa de ficar com a Gronelândia, resistindo à pressão e ameaças norte-americanas, diz o diário britânico The Guardian. Mas na esfera interna a avaliação não foi tão boa.

Vários analistas políticos disseram, no entanto, que também não será fácil para a direita formar governo e que ainda há uma hipótese de essas negociações falharem e Frederiksen voltar a negociar uma coligação.